Repórter no Fundão

Já passava das 23 horas do dia 17 de Junho quando chegámos ao Fundão. Encontrar o Hotel Príncipe da Beira foi tarefa fácil. Bem localizado, junto a um dos acessos da A23, e com muitas placas indicativas, o edifício dá nas vistas pela arquitectura moderna e bem enquadrada.

O dia tinha sido quente em Lisboa mas na Beira Baixa soprava uma brisa fresquinha que nos fez entrar depressa no Hotel. A primeira impressão é a de um ambiente moderno e acolhedor, ao nível de um 4 estrelas. Na recepção, esperava-nos um sorriso simpático e um cartão que nos deu acesso à suite onde ficámos.ar

Do outro lado da porta, no terceiro piso, encontrámos uma suite muito espaçosa, com uma decoração simples mas acolhedora. O destaque vai para uma banheira de hidromassagem, numa zona do quarto que tinha uma clarabóia através da qual era possível admirar o céu limpo e estrelado da Beira Baixa.

Castelo Novo, uma “comovedora lembrança do viajante”

O sábado amanheceu solarengo. Da janela do quarto via-se a principal característica da região – as paisagens infinitamente verdes.

No piso 0 do Hotel esperava-nos um óptimo pequeno-almoço, numa sala moderna com uma vista magnífica para a Serra da Estrela. Saboreámos uns pãezinhos e uns croissants com uns divinais doces de cereja e morango, acompanhados por sumos naturais.

A manhã já ia a meio quando iniciámos o nosso passeio pela zona. A primeira paragem foi Castelo Novo, uma aldeia histórica que pertence ao concelho do Fundão.

São vários os pontos de interesse. Destaco o Castelo que, além de favorecer o repovoamento, terá tido como função a defesa do terreno da fronteira e a organização das vias de circulação da região. Com o que resta da estrutura, ainda é possível imaginá-la em pleno funcionamento!

Nos Paços do Concelho, no centro da aldeia, é possível visitar a Casa da Câmara e a Prisão, de traça romântica, construídos no século XIII. No interior há um pequeno Museu, onde encontrámos moedas e utensílios da época.

Saímos de Castelo Novo a perceber e concordar com José Saramago, que sobre a aldeia escreveu: “É um favor que o viajante vai ficar a dever até ao fim da vida. A esta hora do dia, sob esta luz miraculosa, não pode haver paisagem que se compare. (…) Castelo Novo é uma das mais comovedoras lembranças do viajante”. A placa com as citações está no Museu. Vale a pena ler e guardar.

Alpedrinha, uma pitoresca vila

A paragem seguinte foi Alpedrinha, também no concelho do Fundão. Pudemos admirar as casas senhoriais, fontes e capelas e um centro histórico muito bonito.

Deambulámos pelas ruas estreitas e arranjadas da localidade. Aqui e ali havia canteiros com flores de cores garridas, roupa estendida ao sol, janelas abertas de par em par a lembrar que há quem viva nos locais onde fazemos turismo.

Aproveitámos para almoçar, num pequeno café com uma esplanada apelativa. Uma hora depois, estávamos dentro do carro. Próximo destino: Monsanto.

 

Monsanto, a aldeia mais antiga de Portugal

Eram 16h00 quando chegámos a Monsanto. O calor fazia-se sentir, lembrando que estávamos no interior do país.

Casas inteiramente de pedra granítica e uma elevação escarpada tornam única esta aldeia. Há vestígios de presença humana desde o paleolítico. É por isso que é conhecida como a aldeia mais antiga de Portugal. Verdade ou não, é certo que a subida ao cimo da localidade é imperdível.

A mais de 700 metros de altura, a paisagem fez-nos suster a respiração. Uma imensidão de verde, cortado aqui e ali por estradas que serpenteavam os montes. Por ali ficámos uns largos minutos, a aproveitar a vista que nos relembrou que Portugal tem mil e um cantos para explorar. Basta pormo-nos a caminho e deixarmo-nos surpreender.

 

Fundão e uma surpresa gastronómica

Para jantar regressámos ao ambiente citadino. Numa das avenidas principais do Fundão encontrámos o restaurante Hermínia. Um aspecto acolhedor convenceu-nos a entrar.

Fomos presenteados com umas deliciosas espetadas de porco preto na brasa, acompanhadas por esparregado e batatinhas. Para beber uma sangria fresquinha e para finalizar… um petit gateau!

Acabámos o dia no Teixoso, uma freguesia da Covilhã, onde uns amigos nos esperavam para uma noite de bailarico!

 

Covilhã, paredes meias com a Serra da Estrela

Domingo acordámos mais tarde do que tínhamos planeado mas ainda houve tempo para repetir o maravilhoso pequeno-almoço que já conhecíamos da véspera.

Depois do check-out e de um “até breve” sentido, seguimos para a Covilhã, terra da indústria de lã. Tivemos tempo de conhecer uma cidade muito desenvolvida, com um claro “empurrão” da Universidade da Beira Interior que veio dar vida nova à cidade.

Na Covilhã estivemos a apenas 20 quilómetros do ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre, na Serra da Estrela. Com muita pena, já não houve tempo para subir mas, temos a certeza, oportunidades não faltarão.

Despedimo-nos da região, não sem antes parar à beira da estrada para comprar uma caixa de cerejas grandes e saborosas, que tanto caracterizam a zona nesta altura do ano. E o que melhor podíamos trazer para Lisboa?

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