Volta ao Mundo com a Liza – Carta 20 da Liza à GeoStar

Foi na Costa Selvagem de África do Sul que conheci esta linda História de Amor: Estavam em Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, quando se conheceram. Tal como acontece com centenas de viajantes diariamente decidiram viajar juntos até outra cidade. A Maria adoeceu, com problemas de estômago tão fortes, que a deixaram incapacitada de andar pelo próprio pé. O Mário levou-a ao Hospital, pagou-lhe as contas, cuidou dela, não a largou! Na altura, a Maria tinha um namorado Austríaco, que também tinha conhecido a viajar, e por isso, a Maria e o Mário ficaram apenas bons amigos. O Mário continuou viajando e a Maria voltou para Israel, para o seu trabalho, mas por pouco tempo. A sua alma de viajante queria voar. Decidiu ir então para a Áustria visitar o namorado e viajar com ele. Depois de duas semanas juntos, percebeu que afinal não encaixavam, pelo que terminou a relação. Decidiu comprar um voo para o Nepal, para o dia 6 Junho, e quando o fez, enviou um email ao seu amigo viajante, o Mário, a dizer que ia voltar à viagem. Coincidências da vida, o Mário tinha acabado de comprar um voo para Katmandu, a capital do Nepal, para dia 9 Junho. Escolheu o Nepal apenas porque era o destino com o voo mais barato no momento e ele estava verdadeiramente triste por não ter conseguido um visto para o Irão, o qual lhe foi negado 3 vezes. Encontraram-se então no Nepal, nestes dias no início de Junho, e viajaram juntos. Os dois agora livres começaram a envolver-se. Passaram tempos maravilhosos no Lago de Pokhara, no Nepal, fizeram caminhadas de dias pelas montanhas e deixaram o Amor crescer. No fim da viagem, o Mário foi com a Maria para Israel, e aí viveram por 2 anos. Decidem depois mudar-se para a Suíça, onde casaram, numa cerimónia simples, com meia dúzia de amigos. O Mário é especialista em mecanismos de sobrevivência em condições de risco extremo. Do nada consegue arranjar comida, abrigo etc. Então construiu um Iglô na alta montanha Suíça, para a Lua de Mel. Com duas mochilas carregadas de comida e agasalhos, estes viajantes passaram a Lua de Mel numa casa feita de Gelo para celebrar este Amor. Hoje têm uma filha de ano e meio, e aguardam o segundo filho, desta vez rapaz. Com a filha, vão para todo o lado! Fazem caminhadas de horas, ensinam-na a comer de tudo e a falar 3 línguas (hebraico, alemão e inglês). Super sociável, a Mariane é linda, de caracóis castanhos e olhos verdes escuros. Feliz com e como os pais! Juntos há 10 anos, a Maria e o Mário transpiram paixão. O Mário é o pai mais envolvido que conheci até hoje. É ele que trata da Mariane, dá banho, comida, põe a dormir, ensina-a e brinca com ela. A mãe está grávida e só responde se a Mariane pede. Diz que não tem inveja da relação da filha com o pai e que ele, pai, sabe fazer tudo tão bem quanto ela. E tem razão. Neste momento estão de férias. Ambos trabalham na Suíça, têm bons empregos e bons ordenados. Mas a sua alma de viajantes está-lhes estampada na cara e nas acções. Deliciam-se com as minhas histórias de viajante e dizem-me que nasci para inspirar pessoas! Quando o filho nascer, quem sabe, voltam à estrada e à viagem pura e dura, como eu! Que casal maravilhoso este. Que atitude positiva, relaxada e Feliz! Neste país, abençoado pela natureza, tenho conhecido as mais lindas histórias de vida, pessoas bonitas e interessantes, com quem tenho partilhado tempo e vivido experiências que me ficarão para a vida. Viajar é isto. E é para isto que viajo. Deixo-vos com as fotos da Costa Selvagem, provavelmente, uma das zonas mais bonitas da Costa Sul Africana. Espero que gostem.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 9 da GeoStar à Liza

Olá Liza!

E assim de repente… Já estás em viagem há 2 semanas e já andaste por Joanesburgo, Suazilândia, Cidade do Cabo :)

E então está a corresponder às expectativas?
Que balanço fazes? Como são os teus dias?

Desculpa tantas perguntas, mas a curiosidade é muita! ;)

Por aqui está tudo bem, a Primavera chegou e os dias estão maiores :)
Beijinho e até já,

Raquel

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 8 da Liza à GeoStar

No Reino da Suazilândia
Situado entre África do Sul e Moçambique, está o mais pequeno país no hemisfério sul e um dos mais pequenos do Mundo, a encantadora Suazilândia.
As 5 horas de caminho entre Joanesburgo e a capital da Suazilândia são um crescendo de paisagens lindas com as montanhas Swazi a ganhar em poder e magnitude as planícies Sul Africanas.
Também na fronteira se percebe bem onde estamos. Os Sul Africanos mais agressivos contrastam com a hospitalidade e os sorrisos Swazi. Serão necessárias várias gerações para apagar os ódios provocados por tantos anos de segregação racial nos corações Sul Africanos.
O povo da Suazilândia é de uma amabilidade surpreendente. São doces, acolhedores e educados. E apesar de estarem “entalados” entre dois grandes, Moçambique e África do Sul, são muito bem resolvidos, orgulhosos do seu país e da sua cultura.
A Suazilândia é um dos últimos Reinos de África e viveu em regime absolutista até 1992.
Sociedade poligama, o Rei actual tem 13 mulheres e o anterior tinha 65 e 260 filhos. Cada homem pode ter tantas mulheres quantas puder comprar. Cada virgem custa 17 vacas. Quem não tem vacas suficientes casa só com uma mulher e não virgem.
As mulheres não gostam de partilhar o seu marido com outras mas não podem mudar o que vem desde os seus ancestrais.
Curioso como pode a poligamia conviver tão bem com o Cristianismo. A religião predominante é a Cristã. Conhecem bem Portugal pelas peregrinações a Fátima.
Numa visita a uma típica Vila Swazi, aprendi estes e outros pormenores da sociedade. Concorde-se ou não com a sua forma de viver, não deixa de ser interessante que algumas tradições se mantenham intactas numa era de tanta mudança.
Esta típica Vila, conta ainda com uma maravilhosa queda de água rodeada de floresta e alguns animais. Conheci alguns macacos atrevidos, esquilos, pássaros e muitas borboletas. A caminhada, por entre vales e florestas, para lá chegar foi outra aventura memorável.
Subir à montanha mais alta ou visitar outros pontos do país são programas que estão a alguns minutos de carro ou a pé. É a vantagem de visitar um país com esta dimensão.
Voltamos a ver-nos novamente em África do Sul, na cidade costeira de Durban.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 26 da Liza à GeoStar

BOTSUANA – Chobe

A nossa última paragem no Botswana não podia ser mais autêntica.
Kasane é uma pequena vila que dá acesso ao Chobe, um dos principais Parques do Botsuana, famoso por concentrar centenas de milhares de elefantes.
Esta zona é também conhecida por congregar as fronteiras entre 4 países: Namíbia à esquerda, Zâmbia em cima, Zimbábue à direita e Botsuana em baixo. Estas fronteiras são feitas pelos rios Zambeze e Chobe.
A região é bastante turística com Resorts nas margens do Rio Cuando a praticar preços muito acima do meu orçamento.
Depois de muito pesquisar, perguntar aos locais, ler guias, acabei por saber de um Hostel aqui na região, com dormitórios a preços Europeus, mas acessível para mim.
Boa! Assim posso ir.
O hipotético Hostel, é basicamente onde vive uma malta local tendo feito de uma das salas 3 dormitórios de duas camas cada. 3 corredores com camas. Lençóis não são mudados há séculos e sem água corrente.
Portanto, o duche é de balde de água fria, e o resto também.  Até para lavar os dentes é preciso tirar água do reservatório. Recuei uns anos no tempo.
A cozinha é na rua, o fogão no chão. O lava louça, dois alguidares com água suja. O pateo, de terra laranja, tem umas zonas de convívio interessantes, como um bar em cima de uma árvore cujos bancos são bidons de gasolina, outra com bancos de um comboio antigo.
Pena que esteja tudo de tal modo sujo que a idéia de me sentar aí tenha ficado apenas nisso, numa idéia.
Dizia-me hoje uma visita: “Deves ser das únicas turistas que fica a conhecer verdadeiramente como se vive no Botsuana. Andaste nos nossos transportes, acampaste, ficaste nas nossas casas, comeste a nossa comida com as mãos. Os ricos que ficam nos resorts vivem numa bolha. Não fazem ideia do que é África.” Verdade, agora que sei como moram, estou pronta para ir embora. 
O mais interessante deste lugar é que não posso sair dos portões sozinha. É muito perigoso. Não porque alguém me possa fazer mal, mas porque estamos tão perto do Parque que encontrar elefantes, búfalos e até leões nas redondezas, é comum.
Fiquei por isso apenas o tempo necessário para visitar o famoso Chobe, ver mais elefantes do que alguma vez tinha visto, búfalos, crocodilos, impalas…. e cruzar a fronteira para um dos 3 países à volta. Alguém adivinha qual?

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 25 da Liza à GeoStar

BOTSWANA – Delta Okavango

Sabem aquelas séries da BBC, sobre a vida selvagem, com paisagens de cortar a respiração, girafas, elefantes e crocodilos?
Pois é precisamente aí que eu estou.
Delta do Okavango. Um dos maiores Deltas do Mundo que morre no deserto do Kalahari e não no mar. Este Delta, nos meses secos de Verão, Dezembro a Fevereiro, está seco. Não tem água, não tem vegetação, não tem animais. Mas com a nossa sorte, visitamos o famoso Delta na melhor época, podendo navegar o Delta cheio de água, de vida selvagem e de espectacular vegetação. O silêncio, a paz, a tranquilidade deste lugar é indescritível. Apetece prolongar a estadia.
Um Safari na única zona reservada da região, o Parque Moremi, veio completar a experiência de estar perto de animais selvagens, no seu habitat natural, e sentir aquele frio na espinha por estar a realizar sonhos que são partilhados por tantos de nós.
Nestas paragens conheci gente muito interessante. Um Alemão a viver na Austrália, que fez uma viagem a unir os polos, da Noruega a África do Sul, e ficou a viver 8 anos aqui no Botsuana. De vez em quando vem cá fazer umas temporadas de trabalho e viagem.
A família do Zimbábue, os pais com a minha idade e duas meninas de 12 e 14 anos. Saíram do Zimbábue antes da loucura politica estalar. Há mais de 20 anos que não regressavam a África. Hoje vivem, muito bem, na Tailândia. Não querem voltar ao Zimbábue e nem gostam de falar no país. A dor está-lhes estampada no olhar.
E o Justin, um Homem incrível. Nasceu no Zimbábue e tinha uma reserva enorme, com vida selvagem, onde se faziam Safaris. Quando o Presidente Robert Mugabe chegou ao poder, e retirou as propriedades de todos os brancos, perdeu tudo. Absolutamente tudo. Até a identidade. Apesar de ter nascido no Zimbábue, como a mãe é Inglesa, retiraram-lhe a nacionalidade Zimbabuana. Uma vida…
Justin nunca saiu de África. Arregaçou as mangas e começou a trabalhar nas Reservas dos outros. Hoje é o Líder de uma enorme pesquisa de vida selvagem, promovida pela Universidade de Oxford, e considera-se muito afortunado por isso. Nunca mais teve casa própria. Vive em tendas, nas reservas onde trabalha. E diz que, quando perdeu tudo, nunca imaginou hoje estar tão bem.
A esposa mudou-se para Inglaterra porque tem mais trabalho, é enfermeira, e teve um cancro. Europa é melhor para ela. Vivem juntos 2 meses por ano. Justin sabe que um dia vai ter que se mudar para lá, para ali envelhecer. Mas enquanto puder, fica no Continente que lhe enche o coração.
Justin não sente mágoa. A nostalgia é-lhe disfarçada por um olhar vivo e alegre: “Sabes Liza, o Mundo não pára porque algo terrível nos acontece. A Terra continua a girar todos os dias. Cada um prossegue a sua vida. Por mais horrível que seja a nossa realidade, a vida contínua. E é assim que tem que ser. Temos que levantar a cabeça e seguir em frente, sem rancor e sem olhar para trás. Amanhã, é sempre uma nova oportunidade de recomeçar.”
Estas lições de vida, contadas na primeira pessoa, mexem muito comigo. Podia ser qualquer um de nós. Como podia ser um de nós a ter perdido a vida nos fogos horríveis que destroem Portugal e nos fazem ser razão de chacota põe este Mundo fora.
A verdade é que, enquanto uns se queixam sempre de qualquer coisa, outros dariam tudo o que têm para estar vivos. E isso, isso é uma verdade que não podemos nunca perder de vista.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 24 da GeoStar à Liza

Querida Liza,

Cada carta que nos escreves é uma inspiração e é com muita ansiedade que esperamos sempre boas e novas notícias tuas.

E assim já passaram 3 meses desta Volta ao Mundo!
3 meses de novos amigos, novas descobertas, novos mundos :)

Queremos continuar a saber tudo, queremos saber mais…
Ora aqui vão algumas curiosidades:
- Ainda estás com a mesma mochila?
- Já perdeste coisas?
- Que conselhos dás a quem quer viajar para os destinos onde tens estado?

Beijo grande e até já,
Raquel

 

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 19 da Liza à GeoStar

Hogsback & Cintsa

Há quem diga que, depois de viajar por vários meses, os viajantes deixam de se surpreender. 9 meses é o máximo, dizem, a partir daí tudo parece igual.
Pois não sei o que isso é. Não, depois de mais de 300 lugares e dois anos e meio, em movimento.
A 50 kms da última paragem que vos mostrei, East London, estão as mágicas Montanhas de Hogsback, com 1.200 mts de atitude. Rodeadas de floresta indígena e intocável, estas montanhas são consideradas uma pérola, num país onde o clima parece não facilitar o desenvolvimento de uma Floresta assim.
Dizem, que o Autor do Senhor dos Anéis, visitou estas montanhas quando era pequenino e que foi aqui que se inspirou para escrever o livro. Que a beleza é indiscutível isso é verdade. Algumas trilhas levam-nos ao interior da floresta, com árvores milenares, vegetação densa e uma série de quedas de água de cortar a respiração.
Dias amenos, cheios de sol e luz, contrastam com as noites frias à volta da lareira e um céu muitíssimo estrelado. Estamos na montanha pois então.
Depois de uns dias neste ambiente montanhoso, voltámos à costa, desta vez à Cintsa, para conhecer e mergulhar numa das praias mais bonitas desta costa.
Incrível como, num dia estava à lareira, a tremer de frio e a dizer mal da minha vida por ter vindo no Inverno, e no dia seguinte estava a mergulhar no mar, a agradecer ter vindo em época baixa e ter a praia só para mim.
Um areal de vários kms, permite-se manter o meu ritmo de caminhadas diárias, yoga na areia e subidas a dunas miradouro com vistas encantadoras para ambos os lados da praia.
Cintsa é bela, é única, é inesquecível. Como posso eu deixar de me surpreender né?
Seguimos hoje caminho para a Costa Selvagem que, como o nome diz, está ainda pouco explorada, onde a electricidade e a água não são dados garantidos. Gosto disso!

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 23 da Liza à GeoStar

Botsuana

Cheguei de noite. Esperava-me uma tenda para dormir. Aqui é Inverno. Estão 25° de dia mas de noite 4° que parecem 0°. Estava frio na tenda. Mas eu sabia que esta seria a única forma de visitar Botsuana, onde a acomodação é caríssima. Uma tenda fria custa mais caro que qualquer Hostel em África do Sul e uma cama num dormitório é o dobro de uma tenda. Por isso, que sejam as tendas.
A diferença entre o que já vimos e o que vamos ver percebe-se desde o primeiro momento. No lugar onde fiquei vive um cão, muitos gatos, galos, patos, um porco e um lindo pavão. Estou nos arredores da cidade, perto de um parque natural cheio de animais.
O típico pó africano está em todo lado, nas estradas, nos passeios, nos transportes e entranha-se na roupa, na pele, na vida do dia a dia. Os autocarros são antigos, com bancos sem estofos, apinhados e divertidos. Lembrou-me América Central.
As principal estação de autocarros do país é na rua, com milhares de destinos, alguns bastante distantes, a serem servidos por pequenas carrinhas com mais de 20 anos.
Apesar de ser considerado um país moderno e desenvolvido, agora sim, estou em África.
Nos anos 60 este país era um dos mais pobre do Mundo, com apenas 2% da população com ensino primário concluído e menos de 100 graduados.
Mas em 1967 descobriram diamantes, em 3 diferentes zonas do país, o que veio tirar o país da miséria. Ao contrário da maioria dos países africanos, aqui investiu-se no país, na saúde e na educação, contando já com 84% da população com curso superior.
Independente de Inglaterra desde 1966, o país teve um crescimento económico nos últimos 50 anos maior do que qualquer outro país do Mundo.
Botsuana é um dos países mais seguros do Continente africano.
A sua reduzida população de 2 Milhões de habitantes é agradável, hospitaleira e, não raro, sou abordada na rua apenas para me cumprimentarem.
Gabarone, a sua capital, é interessante. A CBD (Central Business Distric) onde reside o Governo, Tribunal e as Sedes dos Bancos, cheia de prédios altos e modernos, contrasta com os mercados de rua do centro e do resto da cidade, menos pretensiosa e humilde.
Estou no país da natureza sendo 1/3 do seu território ocupado por Parques Naturais e o famoso Delta do Okavango, recheados de vida selvagem.
E é para lá que nos dirigimos.

Liza

 

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 22 da Liza à GeoStar

Drakensberg & Harrismith

Entre a Costa Sul Africana e Joanesburgo, há uma cadeia montanhosa com as mais altas montanhas de África do Sul. É aí que reside o pequeno e independente estado do Lesoto, um dos países mais altos do Mundo.
Recheadas de quedas de água, lagoas, riachos, árvores de todas as cores, caminhos por dentro da floresta e fora dela, esta cadeia de montanhas recortadas, é tão bonita que nos faz agradecer aos céus, a cada instante, o facto de ali estarmos.
Este país consegue surpreender a cada paragem.
Depois de conhecer uma das Cidades mais bonita do Mundo, de ver praias deslumbrantes, rios cheios de hipopótamos e crocodilos, chego às montanhas e rasgo um sorriso por nunca desistir de ir mais além.
Uma breve paragem por Harrismith, uma cidade bem pequena, entalada entre montanhas, dividiu a meio a viagem até Joanesburgo, de onde parto para o próximo destino.
É hoje pois que cruzamos a fronteira para Botswana.
Estou muito expectante pois dizem ser um dos mais autênticos países de África.
Sinto que a viagem só agora vai começar.
E é essa adrenalina que me move.
Até sempre minha querida África do Sul. A tua inconfundível beleza, hospitalidade e história estão tatuadas na minha alma e por isso te levarei dentro do meu coração.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 7 da Liza à GeoStar

 

“Ver o “Invictus” no vôo que me trouxe a África do Sul foi emocionante. É um filme sobre a vitória da equipa Sul Africana sobre a favorita Neozelandesa, no Campeonato do Mundo de Rugby em 1995, quando Nelson Mandela se torna Presidente da África do Sul e luta por transformar um país fragmentado num país unido.
Joburg (como lhe chamam os seus habitantes) nasceu apenas há 150 anos quando, em 1886, se descobriu a maior jazida de ouro do Mundo. Situada a 1.700 metros acima do nível do mar, é uma das cidades mais altas do Mundo.
Em 1948 o Partido Nacional, constituído por um grupo de brancos, assume o poder e cria uma política de segregação social, o Apartheid, que prevaleceu até 1994, altura em que Nelson Mandela é eleito Presidente.
Mandela trouxe esperança a África do Sul e transformou a sua bandeira na mais colorida do Mundo: o Verde da agricultura, o Amarelo do ouro, o Vermelho do sangue, o Branco das pessoas brancas e o Preto das pessoas pretas, o Azul do céu e dos 2 oceanos que banham o país.
Joanesburgo não é bonita nem segura mas tem uma história que nos envolve e provoca sentimentos fortes.

Liza”