Olá Raquel,
Sim, na verdade tenho a mala quase pronta. Vacinas tomadas, medicamentos comprados, documentos actualizados e a mochila pronta.
Estes preparativos fazem-me sentir a viajar e, por isso, começo a tratar de tudo logo cedo.
Está a saber-me muito bem reencontrar os amigos, passar tempo de qualidade com todos, partilhar estes dois anos e meio de ausência, mas, não posso negar que, o meu coração pertence ao Mundo.
Desde o 1o dia da primeira Volta ao Mundo que sabia que não ia parar tão cedo.
É indescritível o que se sente quando se está a fazer algo para o qual fomos talhados e que nos preenche na totalidade.
Foi pois no dia 9 de Outubro de 2014 que arranquei para o Brasil.
Era a quinta vez que visitava o país irmão e por isso, só quando atravessei a fronteira para a Bolívia, senti que estava a começar a Grande Viagem.
Na Bolívia fui ao Deserto de Sal (um dos lugares mais bonitos que visitei) e no Peru fui ao Machu Pichu, tendo depois seguido para o Equador, Colômbia (um dos meus países favoritos), Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e México.
Após 6 meses a viajar, sempre por terra, na América do Sul e Central, apanhei o um voo para o Japão, onde chego precisamente na estação das flores de cerejeira.
Filipinas, Indonésia, Malásia e Singapura, foram os países visitados, na Ásia, nessa parte da viagem.
Em Julho de 2015 voei para um novo Continente: a Oceania. De Cairns a Byron Bay corri toda a Costa Este da Austrália.
Aqui tive oportunidade de trabalhar em troca de estadia, ajudando nos Hosteis em tudo o que precisassem (camas, limpezas, recepção) tornando possível prolongar a passagem por este país que tem tanto de maravilhoso quanto de caro.
Ganhei histórias e amigos para a vida.
Dois meses na Nova Zelândia para percorrer as duas Ilhas de fio a pavio. País lindo embora um pouco vazio.
Regressei à Austrália para conhecer a Tasmânia, Sidney e Melbourne e assistir ao famoso fogo de artificio de final de ano na marina de Sidney.
Nos finais de Janeiro de 2016 já sentia falta de regressar à viagem pura e dura.
Os países de primeiro Mundo não oferecem os mesmos desafios. São mais seguros, muito parecidos à nossa realidade, chegamos até a sentirmos que estamos em casa. É bom para relaxar um pouco, mas faz-nos sentir a falta do desafio dos países totalmente diferentes de nós.
Regresso então para o Sri Lanka, onde sou picada por um mosquito e fico com febre de dengue. Foi duro, mas fez parte. Foi o único episódio de doença em toda a viagem e sinto-me grata por isso. Nunca tive uma gripe, uma dor de cabeça… estive sempre muito saudável.
Depois do Sri Lanka fui para o país que mais desejava conhecer em toda a viagem: a Índia.
Apesar das temperaturas acima de 40 graus, a Índia entrou no meu coração desde o primeiro momento.
Percorri o Sudeste, o Sudoeste e fui subindo toda a costa até Mumbai, passado pelo Centro para ver as famosas plantações de chá e por Goa para testemunhar a presença portuguesa.
Depois entrei na linha do Rajastão visitando a cidade azul, branca e rosa entre outras. Fui ainda a Agra visitar o taj Mahal, e a Varanassi, a cidade mais sagrada da India onde se pode assistir à cremação de corpos perto do Rio Ganges. Subi depois ao Norte, Ladak, perto dos Himalaias e da fronteira com a China.
Tive ainda oportunidade de ir ao Nepal e presenciar a destruição do seu Património devido ao sismo de 2015.
E a Myanmar, onde o turismo começou a entrar há meia dúzia de anos.
Nos últimos 4 meses estive na Europa a visitar a maravilhosa Itália de Norte a Sul, passando pela Sicília. Estive na Áustria, Alemanha, Eslovénia e Croácia.
Foram 26 países, 26 meses, 800 dias de felicidade plena.
São tantos os momentos e tantas as pessoas que guardo no coração, sabes Raquel?
Vários dias não chegariam para te contar tudo e mesmo este breve resumo já está demasiado longo.
Avisa-me, por favor, quando receberes esta carta, e eu prometo voltar a escrever-te sobre os projectos para a próxima viagem, com a qual sonho a dormir e acordada.
Um abraço apertado e, mais uma vez, muito obrigada pelo teu carinho.
Liza