Volta ao Mundo com a Liza – Carta 13 da Liza à GeoStar

Kommetjie o lugar que me escolheu!
Depois de uma busca intensa para encontrar um lugar onde pudesse trocar trabalho por acomodação, foi do Hostel de Kommetjie (lê-se Komeki) que recebi a resposta que desejava.
O Hostel tem 18 camas apenas. É uma casa de praia, em ponto grande, com tudo o que é preciso para se viver confortável. A dona, alemã, vive na Cidade do Cabo, a 30 kms daqui. Estou eu e a minha Katherin, também alemã, a tomar conta de tudo. E bem!
Uma Long Beach, um Farol, uma estrada à beira mar e um centro, com apenas uma mercearia, 3 cafés e uma pizzaria, transformam esta vila num paraíso perdido!
O ambiente é uma mistura tipo hippie-surfista do interior. A vila, de meia dúzia de ruas, está entalada entre as maravilhosas montanhas do Oeste da Cidade do Cabo e as ondas do Atlântico que colocam Kommetjie no roteiro dos surfistas Sul Africanos.
Este, seria um destino que me passaria ao lado, se não tivesse sido escolhida para aqui trabalhar.
E é nestes momentos que realizo como tudo é saboroso quando se está bem.
Um dia a dia simples, tranquilo, num lugar maravilhoso onde consigo viver algo novo todos os dias e onde me sinto em casa. 15 dias que valem uma vida!
Hoje tivemos aqui um casamento. Pois foi. Um casal alemão, que viaja 2 meses todos os anos, por diferentes continentes, decidiu que casaria no último continente que visitasse! E assim foi, África do Sul e a pequena Vila de Kommetjie, mais precisamente o Hostel onde estou, o lugar elegido, por este lindo e jovem casal, para viver o melhor dia das suas vidas.
Viajar é emoção todos os dias. Não há palavras para vos descrever mas há fotos para mostrar. Espero que gostem.
Até breve e Boa Páscoa a todos.

Liza

 

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 2 da Liza à GeoStar

Olá Raquel,

Sim, na verdade tenho a mala quase pronta. Vacinas tomadas, medicamentos comprados, documentos actualizados e a mochila pronta.

Estes preparativos fazem-me sentir a viajar e, por isso, começo a tratar de tudo logo cedo.

Está a saber-me muito bem reencontrar os amigos, passar tempo de qualidade com todos, partilhar estes dois anos e meio de ausência, mas, não posso negar que, o meu coração pertence ao Mundo.

Desde o 1o dia da primeira Volta ao Mundo que sabia que não ia parar tão cedo.

É indescritível o que se sente quando se está a fazer algo para o qual fomos talhados e que nos preenche na totalidade.

Foi pois no dia 9 de Outubro de 2014 que arranquei para o Brasil.

Era a quinta vez que visitava o país irmão e por isso, só quando atravessei a fronteira para a Bolívia, senti que estava a começar a Grande Viagem.

Na Bolívia fui ao Deserto de Sal (um dos lugares mais bonitos que visitei) e no Peru fui ao Machu Pichu, tendo depois seguido para o Equador, Colômbia (um dos meus países favoritos), Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e México.

Após 6 meses a viajar, sempre por terra, na América do Sul e Central, apanhei o um voo para o Japão, onde chego precisamente na estação das flores de cerejeira.

Filipinas, Indonésia, Malásia e Singapura, foram os países visitados, na Ásia, nessa parte da viagem.

Em Julho de 2015 voei para um novo Continente: a Oceania. De Cairns a Byron Bay corri toda a Costa Este da Austrália.

Aqui tive oportunidade de trabalhar em troca de estadia, ajudando nos Hosteis em tudo o que precisassem (camas, limpezas, recepção)  tornando possível prolongar a passagem por este país que tem tanto de maravilhoso quanto de caro.

Ganhei histórias e amigos para a vida.

Dois meses na Nova Zelândia para percorrer as duas Ilhas de fio a pavio. País lindo embora um pouco vazio.

Regressei à Austrália para conhecer a Tasmânia, Sidney e Melbourne e assistir ao famoso fogo de artificio de final de ano na marina de Sidney.

Nos finais de Janeiro de 2016 já sentia falta de regressar à viagem pura e dura.

Os países de primeiro Mundo não oferecem os mesmos desafios. São mais seguros, muito parecidos à nossa realidade, chegamos até a sentirmos que estamos em casa. É bom para relaxar um pouco, mas faz-nos sentir a falta do desafio dos países totalmente diferentes de nós.

Regresso então para o Sri Lanka, onde sou picada por um mosquito e fico com febre de dengue. Foi duro, mas fez parte. Foi o único episódio de doença em toda a viagem e sinto-me grata por isso. Nunca tive uma gripe, uma dor de cabeça… estive sempre muito saudável.

Depois do Sri Lanka fui para o país que mais desejava conhecer em toda a viagem: a Índia.

Apesar das temperaturas acima de 40 graus, a Índia entrou no meu coração desde o primeiro momento.

Percorri o Sudeste, o Sudoeste e fui subindo toda a costa até Mumbai, passado pelo Centro para ver as famosas plantações de chá e por Goa para testemunhar a presença portuguesa.

Depois entrei na linha do Rajastão visitando a cidade azul, branca e rosa entre outras. Fui ainda a Agra visitar o taj Mahal, e a Varanassi, a cidade mais sagrada da India onde se pode assistir à cremação de corpos perto do Rio Ganges. Subi depois ao Norte, Ladak, perto dos Himalaias e da fronteira com a China.

Tive ainda oportunidade de ir ao Nepal e presenciar a destruição do seu Património devido ao sismo de 2015.

E a Myanmar, onde o turismo começou a entrar há meia dúzia de anos.

Nos últimos 4 meses estive na Europa a visitar a maravilhosa Itália de Norte a Sul, passando pela Sicília. Estive na Áustria, Alemanha, Eslovénia e Croácia.

Foram 26 países, 26 meses, 800 dias de felicidade plena.

São tantos os momentos e tantas as pessoas que guardo no coração, sabes Raquel?

Vários dias não chegariam para te contar tudo e mesmo este breve resumo já está demasiado longo.

Avisa-me, por favor, quando receberes esta carta, e eu prometo voltar a escrever-te sobre os projectos para a próxima viagem, com a qual sonho a dormir e acordada.

Um abraço apertado e, mais uma vez, muito obrigada pelo teu carinho.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 18 da Liza à GeoStar

Costa a Costa
África do Sul é indescritível de tão bonita que é. Tenho tanto para partilhar…
Da Cidade do Cabo dirigir-se a Plettenberg, uma cidadezinha, pequenina, muito organizada, limpa e bonitinha, à beira da praia. Belos dias de praia, caminhadas e convívio num dos melhores Hosteis onde já fiquei.
Ao lado, a cidade de Knysna, alberga uma Marina moderna, comparável às nossas, com Restaurantes de Bandeira Portuguesa. Que orgulho.
Continuei caminho para Storms River, a cidade que dá apoio ao Tsitsikkama, um Parque Nacional, ao lado da praia, com vistas de cortar a respiração. As várias caminhadas pelo Parque, têm tanto de difícil quanto de deslumbrante, sempre pelas rochas deslizantes praticamente dentro do mar. Três pontes suspensas na Foz do Rio, fazem as delícias dos caminhantes. Que vistas! Wow!
Jeffrey’s Bay foi a paragem seguinte. Considerada a melhor onda direita do Mundo, Jeffrey’s vive de e para o Surf. Aqui pude conhecer grandes surfistas, alguns que concorreram todos os campeonatos mundiais (passando por Portugal pois então), super boa onda e giros à farta. Tive 5 dias aqui em puro relax, a ler um livro, a conhecer gente com histórias de vida interessantes, a usufruir de uma beleza marinha única. Jeffrey’s ficou-me no coração.
Ao lado San Francis, foi onde iniciei a celebração do meu aniversário com dois amigos brasileiros e depois com dois casais locais que me encheram o coração. Que sorte a minha! Que presente bom!
Estou agora em East London, cidade bem mais bonitinha do que estava à espera. Uma oferta do Hostel, pelo meu aniversário, fez-me parar aqui uns dias e fiquei realmente surpreendida. Com mais locais do que estrangeiros, tenho tido a oportunidade de conviver com a verdadeira vida Africana o que me agrada particularmente. Hoje de manhã, por exemplo, fui para o Centro da Cidade com uma local, lugar que jamais me atreveria a ir sozinha, e foi fantástico. Tive direito a bolo e tudo. Grata por ter parado aqui.
Temos ainda muito para ver neste país incrível e cerca de um mês até cruzarmos a fronteira.
Nunca imaginei que África do Sul fosse tão bonita. Todos os dias me surpreendo. Espero que vocês também com as imagens. Abraço a todos e muito Obrigada pela generosidade nos meus anos. Sou muitíssimo afortunada de ter chegado aos 44 tão rica de Amor. OBRIGADA!

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 5 da GeoStar à Liza

Querida Liza,

A esta hora já estás quase a chegar a Joanesburgo!

Envia muitas fotos e descrições, queremos todos sonhar contigo.

Já agora… Tenho imensa curiosidade em saber como consegues viajar só com uma pequena mochila? O que levas contigo?

Quando leres esta carta já vais estar em África! :)

Beijinho e até já,

Raquel

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 4 da Liza à GeoStar

Olá Raquel:

Estou a contar os dias para partir.

África do Sul promete muito!

Sei que vai ser diferente de tudo o que vi até agora e é precisamente isso que me entusiasma.

Nos primeiros quinze dias vou estar em Joanesburgo (para onde voarei), Durban (zona de praias), Pretoria (capital) e eventualmente dou um salto à Suazilândia, um outro país que fica ali pertinho e dizem ser imperdível.

Depois vou para a Cidade do Cabo, uma das cidades mais bonitas do Mundo. Estou tão curiosa!

Ficarei alguns dias com uns amigos portugueses, que estão lá a trabalhar. Depois vou ajudar num Hostel, situado numa praia espectacular, durante 15 dias.

Acredito que me vou perder de amores por esta cidade e por isso ficarei lá algum tempo.

Quero explorar bem toda a zona, ir ao “Cabo da Boa Esperança” e a todos os pontos imperdíveis.

Daí subo para o Botswana…e daí começo a subir África.

Como sabes, está sempre tudo em aberto.

Caminho ao ritmo do meu coração!

Mas prometo mandar-te notícias de cada lugar e algumas de fotos, para que possas sonhar comigo. Parece-me bem? ????

 

Abraço apertado e até lá.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 12 da Liza à GeoStar

A chegada a Durban não podia ter sido mais tenebrosa. Um céu negro, em forma de remoinho, escurecia ainda mais a cinzenta cidade de prédios em tons mate.
Diziam que era tempestade da feia. Mas a fraca chuva fez perceber que, afinal, era fumo de um incêndio fora da cidade. Por momentos pensei que ia experienciar a minha primeira tempestade tropical à séria. Mas não.
Durban, a terceira maior cidade de África do Sul, goza de uma posição geográfica privilegiada. Banhada pelo quente mar Indico, vive à beira mar com praias, de norte a sul, a fazerem as delícias de muitos surfistas.
Mas precisamente pela mesma razão é também escolhida por oportunistas que se aproveitam dos turistas para ter uma vida fácil. Os avisos para ter cuidado são inúmeros.
Na praia, o ambiente é até tranquilo, com surfistas e corredores a embelezar o calçadão.
Já no centro da cidade e nos mercados sente-se alguma tensão e pouca segurança.
O caminho de Durban até Pretoria faz-me recuar na opinião de que Suazilândia é mais imponente do que África Sul.
As gigantes montanhas de Drakensberg, perto do Lesoto, rodeadas de suaves planícies douradas, enfeitadas de flores de várias cores, fazem-me agradecer as 9h de viagem que culminam num inesquecível pôr do sol.
É por isso que privilegio tanto as viagens por terra. É assim que se conhece os países e se percebe o que vale a pena revisitar.
Pretoria, a capital administrativa do país, fica a apenas 40 minutos de comboio de Joanesburgo. E se uma vive de oportunidades e negócios, devido ao ouro; a outra vive de serviços e ensino, com cerca de uma centena de estudantes. Pretoria é considerada mais segura mas também não tem tanta coisa para visitar, pelo que, bom mesmo, é ver as duas.
Quanto mais conheço deste país mais vontade tenho de o explorar.
Estou agora perto de Cape Town, mas tenho muitos lugares listados para visitar.
É um país lindíssimo e diversificado. Montanhas, planícies, florestas, praias, rios, deserto, dois oceanos, selva, animais, vinho e uma história, que nos é particularmente querida, mas sobre a qual falaremos num próximo post.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 11 da Liza à GeoStar

Cidade do Cabo
Há mesmo cidades abençoadas por Deus.
Considerada uma das mais bonitas cidades do Mundo, Cape Town, não se pode comparar a nenhuma outra. E já vão perceber porquê!
Situada no extremo Sul do Continente Africano, com dois mares a banhar as suas inúmeras praias, Indico e Atlântico, os ventos que sopram da Antártida tornam as suas águas frias, principalmente no Verão, não convidando a banhos. O vento é um companheiro diário e sopra, por vezes, tão forte que até os carros são derrubados.
Mas nem por isso ela se torna menos atraente.
A sua conhecida Table Montain, uma montanha com quase 1 km de altura, eleita uma das 7 maravilhas naturais do Mundo; os 12 apóstolos e a Lions Head, vigiam a cidade dia e noite, e criam uma silhueta de montanhas e mar simplesmente única. Pelo meio encontramos caríssimas casas com piscina, esculpidas nas charmosas falésias e disfarçadas pela verde floresta.
E é essa mistura de cor, do azul do mar, areias brancas e o verde das árvores, tudo abraçado pelas majestosas montanhas, que torna Cape Town numa das cidades mais lindas do Mundo.
É provavelmente a cidade mais Europeia de todo o Continente, com tanta coisa para ver e explorar à volta, que seriam necessários vários anos para a conhecermos na integra. Restaurantes top por toda a cidade, bares e discotecas para todos os gostos, uma marina muitíssimo agradável, museus, jardins e mercados. Sempre acompanhados de bons concertos e um copo de vinho, ou não estivéssemos num dos maiores produtores de vinho de África e do Mundo.
Ser recebida, nesta cidade maravilhosa, por dois grandes amigos que me mostraram a cidade com os olhos dos locais, foi um dos grandes presentes desta viagem que guardarei no coração.

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 28 da Liza à GeoStar

Zimbábue – Kariba

É com chave de ouro que terminamos a nossa viagem pelo Zimbábue. Perto da água!
O Lago Kariba é um dos maiores Lagos artificiais do país. Situado ao lado de um Parque Natural, está rodeado de vida selvagem. Dormi ao som de hipopótamos, diversos passarinhos e até tive direito ao bom dia de um elefante. Estamos num Campismo sem rede de proteção e onde os animais passam para nos cumprimentar. Bonito, tranquilo, autentico e com um clima maravilhoso, o Lago Kariba tem um potencial turístico gigante. No entanto, fui eu a única hospede nos dias que aqui passei.
Fico triste ao testemunhar o quão paralisado está este país, com tanta gente com vontade de trabalhar e o desemprego atingindo os 95%. A expropriação de terras e empresas congelou a economia. As terras estão abandonadas, as fábricas fechadas, os trabalhadores sem ocupação e famintos. Os turistas têm medo de vir. Não há dinheiro e por isso creem que há corrupção e roubos. Mas não foi nada disso que vi. Vi um povo com bom fundo, letrado, com uma cultura geral acima da média e ainda assim humilde.
Por onde andamos nós desde as Cataratas Vitórias? Pois demos a volta completa ao país!
Primeiro passámos pela encantadora Bulawayo, a segunda maior cidade do país. Com cuidados edifícios coloniais, ruas largas e cheias de árvores e gente acolhedora, Bulawayo convida a permanecer mais um pouco. Aqui aprendi a lição de registar sempre os meus sonhos, com a minha anfitriã, uma escritora cheia de fé e com uma luz incrível.
Depois parámos em Masvingo para conhecer as Ruínas que deram o nome ao país. O monumento “Great Zimbábue” tem mais de 700 anos. São as maiores e mais bem preservadas ruínas do Sudoeste Africano, da era pré-colonial. Guardam tradições sociais e religiosas que quase desapareceram com a colonização. São muito acarinhadas pelos locais e dos lugares mais visitados do país. Aqui, o meu anfitrião partilhou-me a sua história. Até avião particular teve, além de vários hotéis e fazendas. Empregava mais de 3.000 pessoas. Conheceu Príncipes e Presidentes. Tiraram-lhe tudo. Os filhos moram nos EUA mas ele, não sai do seu país. É aqui que se sente em casa. Mais uma passagem Feliz.
Quando me falaram desta vila, pela primeira vez, senti-me imediatamente atraída pelo nome, Chimanimani. No entanto, a maioria dos Zimbabuanos nunca visitaram este lugar, alto, enclausurado entre montanhas e vales verdes, frio e com uma paisagem totalmente diferente do resto do país. Um dia inteiro de viagem para cá chegar é o que impede a maioria das pessoas de vir. E é por isso mesmo que fui a única viajante independente nas redondezas o que conferiu a esta paragem uma experiência muitíssimo especial. Ser cumprimentado por todos na rua, em particular pelas crianças, receber os sorrisos genuínos e rasgados de quem não está acostumado a ver gente diferente, mas agradece o facto de eu aqui estar. Senti-me a viajar à séria.
Passei depois em Mutare onde conheci pessoas maravilhosas. Aqui encontrei mais 3 viajantes no único Hostel do país que sobreviveu a todos estes anos de isolamento.
E passei em Harare, a capital do país.
As pessoas com quem me tenho cruzado no Zimbábue são impressionantemente boas. Educadas, bom fundo, coração meigo e honestas. Têm-me dedicado algum do seu precioso tempo a contar as suas histórias, a passar-me a sua experiência e sabedoria, a fazer- me sentir grata, por cada segundo da vida que tenho, pela minha liberdade e segurança.
Se elas, que tudo perderam, e continuam sem nada, vivem cheias de fé e gratas, quem somos nós, que tudo temos, para reclamar com a vida?! Não?!
Já a caminho da próxima fronteira… deixo-vos com um abraço daqueles que enchem a alma e aquecem o coração. ❤️

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 21 da Liza à GeoStar

Entre viajantes falava-se de muitos destinos. Mas não de Santa Lúcia.
Situada a norte da grande cidade de Durban, e de difícil acesso sem carro próprio, esta pequena vila, está fora dos roteiros turísticos.
Mas Santa Lúcia oferece algo muito especial que eu não podia deixar de ver: no rio que a banha vivem hipopótamos, crocodilos e tubarões. Esse rio é mesmo dentro da vila e à noite, por vezes, estes animais selvagens, saem do rio e veem dar o ar da sua graça aos habitantes de Santa Lúcia.
Esta é o maior centro de Hipopótamos de toda a África. Estima-se que aqui vivam cerca de 800 gigantes destes. Este é o mamífero que mais mata em África, chegando às 3.000 pessoas mortas cada ano. A verdade é que a sua dimensão impõem respeito, tanto que os crocodilos não os alcançam e morrem sempre nas lutas.
O estuário está carregado de crocodilos e o rio cheio de hipopótamos a brincar na água. E isto tudo alcançável numa pequena caminhada.
Passei horas sentada à beira do rio a curtir os sons da natureza. Pássaros, macacos, esquilos, antílopes e o frequente som dos hipopótamos.
Que loucura!
Isto sim é África pura.
Era isto que eu procurava!
Estamos ainda na Costa, e na praia que banha esta vila, os anúncios são interessantes. Espreitem as fotos.
Numa semana cruzamos a fronteira, mas o que falta promete ser inesquecível.
Quem me segue?!

Liza