Volta ao Mundo com a Liza – Carta 7 da Liza à GeoStar

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“Ver o “Invictus” no vôo que me trouxe a África do Sul foi emocionante. É um filme sobre a vitória da equipa Sul Africana sobre a favorita Neozelandesa, no Campeonato do Mundo de Rugby em 1995, quando Nelson Mandela se torna Presidente da África do Sul e luta por transformar um país fragmentado num país unido.
Joburg (como lhe chamam os seus habitantes) nasceu apenas há 150 anos quando, em 1886, se descobriu a maior jazida de ouro do Mundo. Situada a 1.700 metros acima do nível do mar, é uma das cidades mais altas do Mundo.
Em 1948 o Partido Nacional, constituído por um grupo de brancos, assume o poder e cria uma política de segregação social, o Apartheid, que prevaleceu até 1994, altura em que Nelson Mandela é eleito Presidente.
Mandela trouxe esperança a África do Sul e transformou a sua bandeira na mais colorida do Mundo: o Verde da agricultura, o Amarelo do ouro, o Vermelho do sangue, o Branco das pessoas brancas e o Preto das pessoas pretas, o Azul do céu e dos 2 oceanos que banham o país.
Joanesburgo não é bonita nem segura mas tem uma história que nos envolve e provoca sentimentos fortes.

Liza”

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Volta ao Mundo com a Liza – Carta 31 da Liza à GeoStar

Ilha e Norte Malawi

Chegar à Ilha de Likoma é como atracar num novo país. As verdejantes montanhas de Moçambique recortam o horizonte. Está tão perto que quase consigo sentir o cheiro. E Moçambique cheira a casa.
A Ilha está realmente isolada. É quase em Moçambique mas pertence ao Malawi e conta com apenas dois barcos por semana para levar e trazer pessoas e bens.
Por isso mesmo os seus habitantes são mais autênticos e menos habituados aos estrangeiros.
Num dos passeios a explorar a Ilha, caminhava eu rodeada de crianças, e estas gritavam “Azumgo, azumgo”.
Perguntei a um senhor o que significava essa palavra e ele disse-me que significava “Bom Dia”.
Então eu comecei a “cumprimentar” toda a gente com quem me cruzava com um “Azumgo” e um acenar amigável.
De facto, via as pessoas espantadas e a rir e eu achei que seria por eu estar a cumprimentá-las no seu dialeto.
Quando regressei ao Hostel percebi que, afinal, Azumgo quer dizer “Pessoa Branca”… Daí as risadas… 
Depois de alguns dias, de puro descanso, numa Ilha religiosa, onde tive o privilégio de assistir a verdadeiras missas Africanas cantadas e dançadas, vim então para terra, mais a norte, mas ainda nas margens do Lago.
Nkhata Bay é outra vila piscatória, rodeada de colinas e recortada por várias bahias, que lhe dão um charme tropical muito especial.
E daí continuei o meu caminho para Norte, desta vez para as montanhas.
Livingstónia parece a Escócia.
A sua construção, em tijolo laranja, de todas as casas e edifícios públicos, conferem-lhe alguma sofisticação.
A apenas uma dúzia de kms do Lago, as vistas dos seus 1.000 mts de altitude, são deslumbrantes.
De repente, parecem vistas de mar, não fosse, em dias de céu limpo, ver-se Moçambique na outra margem.
Nesta Passagem pelo Malawi, estive quase sempre offline, o que me obrigou a estar mais tempo com pessoas extraordinárias, de vários cantos do Mundo, com histórias de amor e de vida incríveis.
Essas estão registadas no 15º diário e na minha mochila de memórias.
Levo um misto de sentimentos deste Malawi e do seu povo. Não os achei transparentes nem me tocaram o coração.
Estou por isso pronta para nova aventura num país muito desejado: a Tanzânia.
Tanta coisa linda nos aguarda…
Estão preparados? 

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 30 da Liza à GeoStar

 Lago Malawi

Depois de passarmos 3 meses numa África moderna, apesar de insegura, mas com um estilo de vida semelhante ao nosso; um Botswana selvagem; um Zimbábue letrado e culto; uma Zâmbia ocidentalizada, chegamos à África carente que temos no nosso imaginário.
Malawi é o terceiro país mais pobre do Mundo.
Aqui, as crianças brincam com pneus de bicicleta velhos, fazem carrinhos com pacotes de leite, jogam futebol com sacos de plástico enrolados.
Aqui vêm-se meninos sem roupa ou com roupas esburacadas de tão velhas que são.
Aqui, há muitas crianças sem sapatos e barrigas inchadas de má nutrição.
Aqui passasse fome. Quando não é a época do milho ou da manga, não há o que comer. E os ordenados de 4.000 Kwachas (5€) até 100.000 Kwachas (120€) não chegam para alimentar as famílias numerosas.
As ajudas internacionais, em forma de bens, roupa e cadernos, não chegam às populações. O Governo vende o que recebe. E quando por ventura chegam às escolas, os professores guardam as dádivas para eles, para venderem e alimentarem os seus filhos.
A única forma de ajudar é ir diretamente às famílias carenciadas. E mesmo essas, depois de receberem uma vez, à segunda exigem. É comum na rua ouvirem-se crianças a estenderem a mão e a dizerem: “dá-me o MEU dinheiro”. A necessidade faz o engenho.
No entanto, não se ouve falar em suicídios, e quantas razões haveria para chegarem a esse desespero. Mas não, vivem conformados. Não serão Felizes mas também não os vejo tristes nem a reclamar. E ouço muitas gargalhadas. Das crianças, das mulheres a lavar a roupa no Lago, dos homens a remendar as redes de pesca. Depois de um cumprimento, de um simples “give me five” as gargalhadas entoam. Aqui ri-se!
E neste cenário encontramos heroínas.
Enquanto carregam um filho às costas, e por vezes outro na barriga, transportam na cabeça enormes baldes de água, tijolos, fardos de palha… por kms e kms de distância. Lavam a roupa, a louça, limpam a casa, cozinham, sempre com os filhos aconchegados nos lindos lenços africanos, atrás ou à frente quando os estão a amamentar. A mama é a sua maior aliada, o único alimento que podem garantir às suas crias.
As mulheres do Malawi são de uma força extraordinária!
Os homens pescam, por vezes fazem costura, mas são as mulheres que levam a vida para a frente.
O Lago Malawi, declarado em 1984 Património da Humanidade pela Unesco, mais parece um oceano de tão grande que é. E é à volta dele que se concentra a maioria da população. O Lago é a vida. É aqui que tomam banho, lavam a roupa, a louça, pescam, é no Lago e do Lago que vivem.
E é nele que estou a concentrar a minha viagem. Depois de uns dias em Cape Maclear, a zona mais turística do lago, vim passar uns dias a uma aldeia de pescadores, Senga Bay, para testemunhar um dia a dia mais autêntico.
Amanhã vou para uma Ilha no lado de Moçambique mas que pertence ao Malawi, Likoma Island. O Lago faz fronteira com Mocambique. É metade de cada país.
Acredito que estarei uns dias offline. Mas a recolher muitas histórias para partilhar convosco, prometo. Abraço e até lá.

Liza