Volta ao Mundo com a Liza – Carta 37 da Liza à GeoStar

4 voos, com paragem nas 3 capitais do Leste Africano, trazem-me a outro dos meus países de sonho.
Não, não viajamos para o outro lado do Mundo. Contínuamos em África.
Bilhetes promoção para viajantes que, para além de terem tempo, adoram aviões e particularmente aeroportos, onde pessoas de todos os cantos se congregam para viajar para outros tantos cantos do Mundo.
Passo horas a observar as pessoas.
A disponibilidade das que estão sós, a partilha das que estão em grupo, a cumplicidade dos casais.
Somos todos tão distintos e simultaneamente tão iguais!
O tempo voa e eu … com ele!
Chegamos, por fim, a Addis Ababa, a capital da Etiópia.
Estamos agora num dos mais pobres países de África.
Não pelos números, mas pela miséria humana que já testemunhei:
Os homens fazem as suas necessidades (todas) na rua à vista de todos. Pessoas a dormir atravessadas nos passeios, em pleno dia. Mendigos a comer a erva que arrancam do chão. Muitas casas de lata rodeadas de lixeiras e lama. Fome. Muita miséria!
Mas também vos apresento o lado bonito.
Este é o pais onde nasceram os Rastafas e por sinal, é aqui que encontro os mais bonitos Africanos. Homens e mulheres. Tons de pele mais diversificados, muitos mestiços, todos com traços bonitos e cabelos aos caracóis sempre para o comprido.
Super atraentes!
Mas têm tanto de bonito como de atrevido. Passam o dia a chamar-me meu doce, bela…têm a escola toda!
São também os mais calorosos que encontrei por esta África acima.
Homens e mulheres cumprimentam-se com 3 beijos e encostam ombros ou dão abraços. Já vi namorados abraçados e muita gente de mão dada, o que é raro no Continente.
Têm o culto da boa comida, do pão e do café, como nós.
A capital não me cativou particularmente, mas sei que o resto do país me vai surpreender.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 36 da Liza à GeoStar

RuandaKigali

Que soco no estômago!
O Memorial das Vítimas do Genocídio de 1994 tirou-me o chão!
Mais de 250.000 Tutsis e Hutis moderados foram chacinados num Genocídio horrendo que marcou a história deste país.
Ódio entre duas tribos alimentado, segundo dizem, pelos seus colonizadores Europeus, que acharam que os Tutsis eram mais inteligentes e bonitos, recebendo por isso mais privilégios, o que deu início a uma separação entre duas tribos que, até então, viviam pacificamente.
Quando os Europeus saíram do país, o ódio acumulado, por alguns Hutis mais fanáticos, levou a esta chacina que matou quase tudo o que era Tutsi.
As atrocidades eram cometidas por amigos, vizinhos, compadres que, de um momento para o outro, foram instigados a matar aqueles com quem, até ali, conviviam apenas por serem de outra tribo. E se não matassem, morriam!
Além de tudo o que lhes foi tirado, perderam também a confiança nas relações humanas pois sentiram-se traídos pelos seus mais próximos. Crianças eram obrigadas a matar e ver morrer as suas famílias, antes de serem abusadas e mortas…
Olho para cada uma das pessoas com quem me cruzo na rua, em particular as que têm mais de 40 anos, e sei que, de uma forma ou de outra, foram vítimas!
Quer estivessem de um ou do outro lado da barricada, pois os que mataram também perderam… dignidade e paz de espírito.
Mais incrível me pareceu como, em apenas 20 anos, o país se transformou em um dos mais modernos e pacíficos países do Continente.
O lema é semear amor para colher amor!
E é nesse contexto, de paz e amor, que mais de 35.000 crianças, órfãs de qualquer parente, cresceram sozinhas, numa sociedade que converteu o ódio em perdão.
Enterraram as separações tribais e construíram uma nação de um só povo, com uma só língua.
Ruanda tocou-me o coração por tudo o que é.
Pequeno mas cheio de encantos, cuidado como nenhum outro, limpo, seguro, organizado, genuíno.
Até sempre Ruanda!
As fotos que vão ver são as que consegui tirar com o novo telemóvel em Kigali e as do Lago Bunyonyi que consegui recuperar.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 35 da Liza à GeoStar

Encontrar transportes públicos para atravessar a fronteira entre o Uganda e o Ruanda foi difícil, pois nestas paragens há poucos brancos e quando vêem um, só oferecem transporte privado. Mas depois de 1 mota e duas carrinhas, chego à fronteira, que atravesso tranquilamente. O visto é o mesmo para ambos os países e as relações as melhores.
Do outro lado da fronteira apanho outra carrinha, mais recente, mas…
…quando o pneu da carrinha rebentou dei-me conta de que o pior podia ter acontecido.
Invadiu-me uma enorme tranquilidade típica de quem está todos os dias onde queria estar!
Por sorte aqui andam devagar. Aliás, aqui tudo é muito diferente de tudo o que já vimos em África.
Chegamos pois ao Ruanda!
O país mais limpo de África, onde há varredores de rua, papeleiras para o lixo e ninguém deita nada para o chão.
Onde os sacos de plástico são proibidos, as estradas são alcatroadas e têm palmeiras nas bermas e no centro, as avenidas são sinalizadas e as casas ajardinadas, cuidadas e sem grades.
Onde se fala mais francês que inglês, muitas ruas e pessoas têm nomes franceses e conduz-se à direita.
Onde o tradicional e o moderno convivem harmoniosamente.
As mulheres vestem tradicional, mas preocupam-se que as cores combinem. E os homens vestem camisas engomadas.
Fora das fronteiras diz-se que o país é governado debaixo do medo. Que o actual presidente ameaça a população de que estão sempre a ser vigiados com câmaras e com helicópteros.
De facto, vi muitos militares armados por todo o lado, e percebi que evitavam ser fotografados.
Mas não senti o povo amedrontado.
Não têm sorrisos fáceis e espontâneos, mas devolvem-nos um sorriso Feliz se lhes sorrimos primeiro.
Por vezes até nos esquecemos que estamos em África tão organizado, cuidado e seguro que é o país.
Se a primeira impressão do país é boa, a do Lago Kivu é ainda melhor, um lugar muito agradável, verde e imaculadamente limpo!
A nossa primeira paragem no Lago Kivu foi em Gisenyi que fica a 2 Kms da fronteira com a República Democrática do Congo (antigo Zaire), um dos maiores, mais populosos e pobres países de África.
Todos os dias corro até à fronteira digo olá e volto para trás.
Dois países tão distintos a conviver lado a lado.
O Mundo é incrivelmente interessante!
Ainda fomos espreitar o Lago um pouco mais a sul, a Kibuye. Igualmente tranquila e limpa aqui encontrei alguns memoriais do genocídio de 1994 um pouco por toda a cidade.
Amanhã já nos dirigimos à Capital, Kigali, onde vamos perceber melhor como tudo aconteceu. Bora?!

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 34 da Liza à GeoStar

“Não sei se estás a perceber que és a única pessoa do Hostel que não vai ao Festival, Liza”.
De súbito levantei-me do sofá, peguei no telemóvel, liguei-me à net, adiei a reserva que tinha para os dias seguintes, reservei Hotel em Jinja e comprei o bilhete para o Festival Nyege Nyege.
Composto de 4 palcos com ritmos Africanos, população internacional e multirracial, o Festival Nyege Nyege (que significa Fuck Fuck), realiza-se numa zona espectacular nas margens do Lago Victória e na Nascente do Rio Nilo, o rio mais longo do Mundo.
Estes 3 dias de Festival converteram-se numa das mais deliciosas e inesquecíveis experiências desta passagem por África.
Havia algum tempo que não dava tantas gargalhadas, dançava como se ninguém estivesse a ver, comia e bebia tanto! Havia algum tempo que não me sentia tão rodeada de amigos, de pessoas que se preocupam verdadeiramente e que sabemos que vieram para ficar não por uns dias, ou por uma viagem, mas por uma vida.
A verdade é que, quando viajamos, tudo é muito intenso, muito transparente e muito sincero!
As alterações de planos de última hora, trazem sempre algo delicioso com elas. Adoro quando sou forçada a questionar-me: “onde querias estar hoje se morresses amanhã” e daí sigo o meu instinto e o meu coração!
“A quem muda Deus ajuda” já diz o ditado, e eu não podia estar mais de acordo.
Uganda surpreende, pelas suas planícies verdes, com plantações de chá e bananeiras, rodeadas de muitas montanhas decoradas em diferentes tons de verde, laranja e castanho. E muitas das estradas têm jardins nas bermas. Lindo!
É um país interior, sem costa marítima, mas tem dezenas de Lagos alguns tão grandes e bonitos, que até nos esquecemos quão longe estamos do mar.
É, sem dúvida, um dos países mais boa onda de África, onde os credos se misturam com harmonia e os cidadãos se orgulham do seu país.
Esta zona do Continente é claramente mais desenvolvida, moderna e bem mais independente do Ocidente.
E estou a gostar de ver.
Estamos agora na última paragem neste maravilhoso país. O lugar é de tal modo mágico que merece que vos mostre detalhadamente. Conseguem esperar?!

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 33 da Liza à GeoStar

Quénia
As eleições realizadas há 15 dias, tendo provocado alguns tumultos, deixaram o país de fora na lista de muitos viajantes.
Eu acredito que o Mundo é um lugar seguro e por isso atravessei o país. Não me demorei muito, mas visitei alguns lugares. E gostei do que vi e do que senti!
Nairobi, a capital, é considerada a cidade mais moderna do Leste Africano, a mais movimentada e a mais perigosa.
À excepção do perigo (pois não senti nenhum), foi isso que encontrei, uma cidade moderna, com jardins cuidados e agradáveis e muitos pássaros gigantes (tipo pelicanos) a enfeitar as árvores e os céus.
Cruzei-me com gente simpática, de sorriso fácil, cheirosa e bem vestida.
Caminhei kms, deixei-me perder nas ruas e descobrir lugares que não constam dos guias.
De Nairobi segui para Kisumo, uma cidade nas margens do Lago Victória, o segundo maior lago de água fresca do Mundo, que faz fronteira com 3 países: Tanzânia, Uganda e Quénia.
Também aqui me senti bem recebida e gostei da cidade!
E tive oportunidade de perceber um pouco melhor o que se passa entre as duas tribos dominantes, Bantu e Luo.
Cada uma tem o seu partido favorito e não aceita a derrota, criando tensão e até alguns conflitos físicos entre eles. Mas é entre eles. Os estrangeiros estão a salvo e são bem vindos por todos.
À parte destas questões eleitorais e tribais, achei o Quénia um país bem resolvido e feliz!
Estamos já a caminho do Uganda.
Uganda e Ruanda não constavam do plano inicial, mas é esta a magia de viajar com tempo: os planos são apenas um esboço que vou alterando à medida que falo com outros viajantes.
E isso, isso não tem preço.
Estou tão expectante… E vocês? 

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 32 da Liza à GeoStar

Old Moshi, Kilimanjaro, Tanzania

Custa sempre deixar um paraíso para trás mesmo quando sabemos que nos espera outro paraíso.
A viagem de barco, de Zanzibar a Ushongo, não foi tranquila. Chovia, o céu estava escuro, e as ondas eram de tempestade.
Mas 4 horas depois, ali estava eu, na costa norte da Tanzânia.
A praia não se compara com as praias da Ilha. Areia mais escura, água turva, mas muitas palmeiras e muito verde, mais tranquila e sem turismo.
O Kilimanjaro, a maior montanha de África, era a paisagem que nos aguardava a seguir.
Moshi, a cidade onde é possível avistar o cume, recebeu-me de braços abertos, num Hostel ao nível dos Ocidentais, ocupado por viajantes super interessantes e cheios de histórias para contar.
Pena que o tempo, sempre nublado, não me tenha permitido ver o grande Kilimanjaro.
Tanzânia foi um país que me tocou bastante! Tem tudo o que precisa para receber bem.
As pessoas são agradáveis e têm bom fundo.
São modernos sem perderem as tradições.
A influência de vários continentes, enriquece a culinária e os hábitos, tornando o país ainda mais acolhedor.
Já cruzámos outra fronteira mas com a Tanzânia no coração. Até já!

Liza