Volta ao Mundo com a Liza – Carta 41 da Liza à GeoStar

A 120 mts abaixo do nível do mar, Danakil Depression, é uma das 3 zonas mais fundas e menos habitadas da Terra.
O calor é imenso, a qualquer hora do dia e da noite, mas as belezas naturais sobrepõem-se.
Neste imenso deserto de sal, vimos o pôr do sol num lago gigante, tão imaculadamente branco que se confunde com a neve, e tão extenso que o seu fim vai para além de onde os nossos olhos alcançam.
A noite foi passada ao relento, na base militar de Hamedela, um dos poucos lugares com vida. Estamos a 20 kms da fronteira com a Eritreia, com quem a Etiópia tem um longo processo de desentendimento, por isso andámos sempre escoltados.
No dia seguinte visitámos Dallol, onde formações vulcânicas de várias cores, tornam esta zona numa das mais coloridas, misteriosas e interessantes do país.
Fomos ainda a Asebo, onde podemos ver o sal a ser cortado em pedras rectangulares, por homens que trabalham 9h por dia, debaixo de temperaturas que rondam os 40-50 graus centígrados.
A caminho, cruzámo-nos com várias caravanas de camelos que transportam estes blocos de sal para a cidade mais próxima, Mek’ele, para daí seguir para o resto do país. Dezenas de camelos, acompanhados por meia dúzia de homens, caminham 7 dias debaixo de um calor tórrido. Quase desumano!
Em qualquer outra parte do Mundo já teriam trocado os camelos por camiões.
Mas Etiópia quer manter as suas tradições.
Este país tem a capacidade de nos fazer amá-lo e odiá-lo, ao mesmo tempo.
Não está preparado para o turismo e não demonstra querer preparar-se. Tentam extorquir dinheiro a qualquer preço e por vezes maltratam o turista. Não servem bem e não parecem querer mudar.
Todos os dias, a toda a hora, rodeam-nos oferecendo ajuda, sobre a qual pedem sempre dinheiro no fim.
Mas, por outro lado, é indiscutivelmente o país mais autêntico de África, onde as crianças riem à gargalhada com frequência, onde se sentem amadas e acarinhadas e são responsabilidade de toda a comunidade. Onde se vestem, penteam e adornam tradicionalmente. Onde se vê um povo orgulhoso sem intenção de sair daqui ou de mudar seus hábitos.
E isso faz-nos reflectir e aceitá-los tal como são.
Etiópia é tão intensa quanto envolvente e tão cansativa quanto inesquecível.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 40 da Liza à GeoStar

1200 graus centígrados aguardavam-nos na cratera do Vulcão Erta Ale, depois de um dia inteiro de viagem, numa das piores estradas do Mundo, seguida de 3 horas de caminhada, em cima de areia, pedras e lava convertida em frágil rocha.
Era 1h de manhã quando chegámos, mas o calor era tanto, que mais parecia 1h da tarde, no mais quente dia de Verão Alentejano.
O cansaço sumiu num ápice, mal espreitámos para dentro da grande boca, e vimos uma enorme massa laranja, recortada a traços amarelos, a borbulhar e a mover-se muito lentamente como se de um mar de fogo se tratasse.
O som é parecido com o mar, ritmado, profundo, envolvente.
Podia ficar horas a observar os movimentos desta massa escaldante, que nenhuma onda de fogo seria igual à anterior, tal como acontece no mar.
Os desenhos vão-se transformando à medida que a lava se vai mexendo e se vai abrindo por frechas cada vez mais abertas e borbulhantes. De vez em quando, acende-se uma enorme labareda de fogo, a lava dispara e espreita quase até à cratera.
Não mete medo mas impõe respeito!
Este vulcão, na fronteira com a Eritreia, a norte da Etiopia, é o mais antigo dos 6 vulcões com lava permanentemente activa em todo o Mundo, e dos poucos possíveis de visitar.
Indescritível o que se sente quando se assiste a fenómenos da natureza como este.
É uma sensação de enorme pequenez e a realização de que não somos absolutamente nada quando nos confrontamos com o poder da mãe natureza.
Mais um sonho realizado e na companhia de novos amigos que tornaram este momento ainda mais memorável.
Seguimos caminho para outras maravilhas da natureza, únicas no Mundo, aqui na Etiópia.
Deixo-vos com fotos que, infelizmente, não fazem justiça à grandeza do momento, mas que não posso deixar de partilhar.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 39 da Liza à GeoStar

Estava quase a desistir de subir à famosa Lalibela, quando apareceram as 3 viajantes. Todas tão diferentes e tão bonitas, que pareciam oriundas de 3 diferentes continentes. Ninguém diria que eram todas de Israel.
Cerca de duas horas depois conseguimos que nos levassem, por um preço justo, até à capital das igrejas escavadas na rocha.
Lalibela é, provavelmente, o lugar mais visitado da Etiópia. Além da curiosidade turística pelas construções na rocha, é considerada a cidade mais sagrada do país, pelo que milhares de peregrinos Ortodoxos a visitam pelo menos uma vez por ano.
A caminho desta pérola, demo-nos conta de que, precisamente no dia seguinte, haveria uma celebração religiosa, das mais importantes da cidade, e que se realiza apenas uma vez por ano.
Mais uma vez no lugar certo…
Lalibela, a 2.500 mts de altitude, respira outro ar. Tem uma energia mais positiva e é mais hospitaleira do que os lugares que estivemos até aqui.
E claro está que, partilhar estes dias com 3 maravilhosas miúdas, que em 2 dias se converteram em amigas, contribuiu muito para que Lalibela me entrasse no coração.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 1 da GeoStar à Liza

Em destaque

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Lisboa, 15 Fevereiro 2017

Olá Liza,
Tudo bem?

Como está a preparação da viagem? Malas prontas?
É verdade… De certeza que estás super ansiosa com a próxima Volta ao Mundo, está quase a chegar o grande dia da partida!
Estou a escrever para agradecer toda a colaboração… Mas antes vamos contar a todos a “nossa” história.

Em Novembro do ano passado, recebemos o teu e-mail que dizia:

“Quero agradecer-vos esta vossa promoção que me deu a oportunidade de comprar o voo que vai arrancar a minha Segunda Volta ao Mundo.
Estou neste momento a concluir a primeira. Estou a viajar há 25 meses. Regresso a Portugal no Natal mas em Março quero arrancar de novo para uma das maiores viagens de sempre em Portugal (5 anos, 50 países, 5 Continentes).
Estou Feliz e muitíssimo grata.”

Sim, isso mesmo: Segunda Volta ao Mundo :)

Depois de ter lido palavras tão surpreendentes, decidi então enviar-te um e-mail para podermos explorar em conjunto como é que eu podia ter notícias da tua viagem. E marcámos o nosso encontro…

Na breve hora em que estivemos juntas, o entusiasmo que partilhaste foi verdadeiramente inesquecível e inspirador… Comecei a pensar que era injusto ficar com a tua história só para mim!

Foi então que me lembrei que podíamos trocar correspondência e partilhar essas cartas com todos aqueles que as queiram ler, e que ao lerem os teus relatos pudessem conhecer os sítios por onde vais passar e o que vais vivenciando.

Por isso, agradecemos-te por ires partilhar connosco os momentos mais marcantes da tua próxima viagem, que terá início a 14 de Março.

O pontapé de saída vai ser rumo a Joanesburgo :) e tal  como nós, estás entusiasmadíssima, não é verdade?

Liza, de certeza que estás atarefada com preparativos e despedidas antes da partida…

Mas não queres partilhar um bocadinho da Primeira Volta ao Mundo e contar as expectativas para a próxima viagem? :)

Um grande beijinho e até já,
Raquel

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 38 da Liza à GeoStar

Aventuras de uma viajante

Quando cheguei à bilheteira de autocarros para comprar bilhete para Harar (uma cidade muralhada património da humanidade) fui informada de que não havia autocarros a viajar para lá pois o lugar está num género de guerra civil. Agradeci o alerta e desviei a minha rota para o que seria o destino seguinte.
Na margem sul do Lago Tana, o maior Lago da Etiópia e o terceiro maior de África, está a cidade de Bahir Dar. Cheia de palmeiras e jardins, esta refrescante e agradável cidade pintada a verde, é um dos destinos turísticos do país.
Fui recebida pelo dono do meu Hostel, um puto de 27 anos que, desde cedo, se mostrou muito ávido em zelar pela minha segurança. Diz que a cidade está cheia de esquemas, rapazes que, não tendo ocupação e sabendo que são bonitos, tentam meter conversa com as turistas, com o intuito de engatá-las para lhes extorquir dinheiro ou apenas, para lhes vender gato por lebre: um serviço barato a preço de ouro.
De modo que, para me proteger dessas emboscadas, o melhor seria não me distanciar e andar com ele, qual sombra, nos dias que por aqui passasse.
Sedenta da minha liberdade, como sou, a minha primeira ideia foi: amanhã ponho-me a andar daqui. Não tenho necessidade de estar num lugar que não posso sair à rua sozinha.
Fomos ver o sunset nas margens do lago, e o meu suposto protector, começa a tentar dar-me a mão, abraçar-me…fazendo precisamente aquilo que dizia estar a querer proteger-me…
Pu-lo no lugar dele, com a delicadeza dos meus 44 anos, e como não esperava o corte, começou a vangloriar os seus atributos masculinos, o famoso tamanho dos “Etiopianos”, o número de turistas que partem caidinhas por ele, que lhe mandam presentes, que o convidam para visitar os seus países e que não o conseguem esquecer.
Caí na cama, com uma dor de cabeça gigante, pouco depois das 19h da noite sem jantar. Tinha acordado às 3h20 da manhã para iniciar uma viagem de 10 horas, montanha acima-montanha abaixo, com paisagens de uma beleza desconcertante, mas que, pela altitude, deixou todos passageiros meio atordoados.
Depois a recepção, amedrontadora, não ajudou.
No silêncio da noite perguntei ao meu coração se devia seguir caminho no dia seguinte ou dar uma oportunidade à cidade. E optei pela segunda. De manhã saí sozinha, para espanto do meu anfitrião, que estava prontinho para ser o meu guardião.
Vi, de facto, dezenas, se não centenas, de jovens desocupados, bem parecidos, engomado e cheirosos, sentados nas esplanadas, margens do lago ou nos jardins, com ar de quem espera a melhor oportunidade para lançar o seu isco.
Mas, como em qualquer parte do Mundo, o remédio é não lhes dar conversa, sorrir, e seguir caminho. Não me senti ameaçada mas também não me senti confortável. E por isso decidi que seguiria caminho no dia seguinte.
Finalmente, explorei Bahir como eu gosto de fazer, sozinha, a percorrer ruas a pé, sentada nas esplanadas a ver como se comportam os locais, e a registar tudo no meu diário. Mas não me estendi demasiado. O Mundo é imenso e maravilhoso para nos demorarmos em lugares menos hospitaleiros.
Estas são histórias comuns de quem viaja, particularmente, sozinha! E o desafio é sabermos lidar com elas sem prejudicar os objectivos da viagem.
Seguimos caminho para um lugar que é património da humanidade. Preparados!?

Liza