Volta ao Mundo com a Liza – Carta 46 da Liza à GeoStar

Toda a vida ouvimos falar delas, mas nada nos prepara para o que sentimos quando as avistamos pela primeira vez.

Éramos 4 no carro. Íamos na conversa. Todas de continentes diferentes, tínhamos muito para partilhar. Eu ía atrás, no lugar do meio. E fui a primeira a ficar muda.
Aquela enorme sombra, que parece querer tocar o céu, não é uma sombra. É a mais alta pirâmide do Mundo!
Entre pirâmides, esfinges, estátuas gigantes, túmulos reais… o dia some tão rápido e tão intenso que mais parece que vivemos 3 dias em apenas um.
Giza, onde estão as pirâmides, fica a apenas 30 kms do capital.
Com mais de 22 milhões de habitantes, o Cairo, é o que se diz ser: uma cidade caótica, poluída, cheia de lixo, com prédios escuros, e quente.
Mas é também uma das grandes capitais do Mundo onde me senti mais segura.
A cada 100 mts ouço um “welcome to Egypt” em vez do habitual “cuidado com a carteira/com o telemóvel” que me habituei a ouvir em todas as cidades.
Pode haver um assobio masculino ou um olhar reprovador das mulheres por me verem de ombro destapado.
Mas é compreensível e cultural. Não passa disso.
Gostam de nos ver por cá e se lhes sorrimos perguntam-nos o nome e de onde somos.
E isso fez-me sentir confortável e acolhida, o que, nos dias que correm, não tem preço.
O Museu do Cairo alberga uma riqueza arqueológica única com mais de 5.000 anos de história.
A mais antiga Mesquita Muçulmana de todo o continente Africano está aqui. Bem como uma das mais antigas Igrejas Ortodoxas.
Passear nas margens do Rio Nilo ou navegar nas suas águas é igualmente memorável.
A maioria das pessoas não gosta do Cairo.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 45 da Liza à GeoStar

Uma cidade deitada nas margens do mais comprido Rio do Mundo, o Nilo, só podia ser uma cidade encantadora.
Luxor é um Museu a céu aberto que alberga alguns dos mais importantes monumentos da História antiga do Egipto.
Karnak o templo com as maiores 134 colunas do Mundo; o Vale dos Reis onde foram encontrados os túmulos de 62 Reis Egípcios, 450 Nobres e Artistas; e outros tantos templos imponentes e majestosos que se encontram nas duas margens do Rio que divide a cidade.
Pode até parecer apenas um conjunto de pedras, o que vão ver nas fotos. Mas se pensarmos que estas pedras têm mais de 3.000 anos, que cada uma delas está desenhada, esculpida, pintada com rigoroso pormenor, temos a noção do valor histórico desta visita.
Por muito que tivesse lido acerca do Egipto, a verdade é que encontrei um país bem diferente do que estava à espera.
Mais organizado, limpo e hospitaleiro, o Egipto, 85% Muçulmano, representa 1/4 da população Árabe Mundial.
Há 7 anos, uma revolução acabou com o Governo de quase 30 anos de Mubarak, mas trouxe-lhes uma profunda crise económica.
Os turistas abandonaram o país e, ainda hoje, recebem menos de 10% do que era habitual.
Os seus mais de 90 milhões de habitantes estão desesperados e por isso abordam-nos na rua a cada 2 metros, para tentar vender os seus serviços.
O interessante aqui, é que nos pedem desculpa, por nos aborrecerem. Honestos, devolvem-nos dinheiro por se terem enganado no troco e oferecem-nos chá e café por os visitarmos.
É um país seguro sem registo de crimes de elevada violência.
O Egipto, um dos mais antigos países do Mundo, é orgulhoso do seu Património e herança histórica e é nesse registo que nos abre os braços e nos envolve numa visita que só pode ser memorável.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 44 da Liza à GeoStar

Sharm El-Sheikh fez-me lembrar o Algarve em época baixa.
Bastante deserta em ambos os sentidos, na paisagem e no número de pessoas, esta zona de praias está repleta de resorts para todas as carteiras, geralmente no regime Tudo Incluído, com piscina e praia privada.
Entre eles há espaço, muito espaço, e montanhas a cortar o horizonte.
A mistura de mar com montanhas e deserto é interessante.
O mar é quente, transparente e bom para mergulho. A areia é dourada mas não é confortável para estender a toalha, por isso as camas ocupam todo o areal.
Noutros tempos seriam turistas, de todos os cantos do Mundo, a preencher essas espreguiçadeiras de praia. Mas os turistas fugiram do Egipto, pelo que agora apenas os turistas locais e os Russos marcam presença.
As Egípcias, de burca, vão à água vestidas dos pés à cabeça, fazendo-nos sentir o centro das atenções quando entramos na água de biquíni.
As Russas vestem biquíni mas bebem vodka dia e noite. 
Caminhei bastante a pé para tentar ver para além do caminho praia-resort e encontrei uns shoppings com uma mesquitas imponentes ao lado mas nada verdadeiramente característico.
Soube bem passar aqui 3 dias de papo para o ar, ainda mais, em pleno Inverno português. Mas não me encheu as medidas.
Nós, portugueses, e em particular os Algarvios, somos muito exigentes na apreciação de praias ou não albergassemos nós das praias mais bonitas do Mundo. 
Aqui ficam algumas fotos da famosa Sharm El-Sheikh.
Abraço e até ao Cairo.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 43 da Liza à GeoStar

Pouco depois das 6h já não consegui dormir mais nos sofás do aeroporto. A luz começou a dar-me na cara e o ruído aumentou com o início de um novo dia de aeroporto.
Barulho e luz…está na hora de despertar.
Chegar ao aeroporto do Cairo é muito emocionante e nem o tardar da hora e a falta de sono me desviam da constatação: cheguei a um dos meus países de sonho.
Depois de 7 meses de África profunda, o Egipto parece uma lufada de ar fresco. Mais moderno, aqui todos falam inglês, e sinto-os mais próximos da nossa realidade.
Mais Árabes que Africanos. Mais brancos, por vezes mais feios e mais matreiros. Pela primeira vez na vida, à saída dos wcs, há funcionários a pedir gorjeta. Aldrabar parece estar-lhes no sangue.
Discutem entre eles aos berros quais verdadeiros Italianos. Aprecio e até me revejo.
Este país promete.
Promete muito.
Tanta coisa para ver! Uma gigante revisão às maravilhosas aulas de História a disciplina onde sempre tive a melhor nota.
Já na altura viajava sentada!
Mas ainda não nos ficamos pelo Cairo. Um vôo às 11h da manhã leva-nos ao que será o primeiro destino no Egipto: Luxor, a Sul.
Não sei como se sentem vocês nesta chegada à África do Norte.
Quanto a mim, estou com nervoso miudinho, uma vontade enorme de me atirar à rua e explorar esta cultura milenar.
Deixo-vos com fotos de posters que recolhi entre os aeroportos da Etiópia e do Egipto, nas 20h de viagem até ao novo destino.
Feliz, cheia de pedalada e energia boa, prometo em breve mostrar-vos este maravilhoso país. Boa?
Weeeeeeeee!!!!

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 42 da Liza à GeoStar

Não podia ter escolhido melhor lugar para me despedir da Etiópia nem melhor companhia.
Axum, no Norte da Etiópia, perto da fronteira com o Sudão, é a cidade mais agradável que conheci no país.
Património Mundial da Humanidade, pelas suas ruínas datadas do Séc. XII e XIII, Axum tem muito mais do que ruínas. É uma cidade cheia de cafezinhos apetecíveis com esplanadas, restaurantes tradicionais e ocidentais, ruas empedradas com árvores no centro, lojinhas que vendem de tudo um pouco…um lugar que apetece ficar e explorar.
Cheguei a Axum com a minha companheira de viagem Cochi, uma Israelita com pais Etiópes, que se cruzou comigo quando ia para Lalibela, há duas semanas atrás. A empatia foi imediata e desde então começamos a partilhar tudo, quarto, comida, histórias, tempo, e acima de tudo, muitas muitas gargalhadas.
Em 13 dias fomos a Danakile, a Mek’ele, a Axum e Lalibela. Divertimo-nos muitíssimo, criámos a nossa própria linguagem, os nossos sinais e as nossas piadas.
Quando viajamos, é tudo muito intenso, vive-se cada dia como se fosse uma semana.
Muita coisa acontece a todo o momento, muitas histórias para contar e comentar, muita vida corre em cada 24h de viagem.
E é neste registo intenso que, pessoas com quem passamos uns dias, se tornam amigas para a vida, irmãs de alma, porque pensam como nós, sentem o mesmo que nós, e estão a viver o mesmo sonho que nós.
Não esquecerei estes dias maravilhosos numa Etiópia difícil que se tornou muito mais simples com Cochi, que fala a língua e que comunica particularmente com sorrisos e paciência.
Cochi cativou-me desde o primeiro segundo e depois conquistou o meu coração.
A poucos dias de sair da Etiópia, chegou o momento de me despedir de Cochi. Ela foi para Sul, para viver os últimos dias de uma viagem de 8 meses, antes de regressar a casa.
Eu sigo para Norte, para outro país, para continuar o meu percurso.
Muitas outras histórias por viver. Muitas pessoas maravilhosas para me cruzar.
Sempre com as amigas como Cochi, na minha mochila e no meu coração e grata por me cruzar sempre com as melhores pessoas do Mundo.
Obrigada Estrelinha. Obrigada minha Cochi.

Liza