Volta ao Mundo com a Liza – Carta 48 da Liza à GeoStar

AFRICA

Nunca imaginei encontrar o que encontrei em África. Mesmo tendo estado 5 vezes antes no continente a verdade é que, só agora, vivi como os locais.

Para começar, a mentalidade.
Fora África do Sul, que é uma África muito à frente, na maioria dos restantes países africanos, ainda se vive no século passado.

A homossexualidade é proibida.
Como se de uma doença contagiosa se tratasse ou como se alguém escolhesse ser homosexual. Dá direito a multa, cadeia e isolamento da sociedade.

As mulheres não são respeitadas. Tapam-se, da cabeça aos pés, independentemente da religião.
Nuns países são só elas que trabalham. Cuidam dos filhos carregam-nos às costas enquanto lavam a louça, limpam a casa, ou vendem nos mercados.
São elas que caminham kms com enormes pesos na cabeça e as crias às costas.
Eles desfrutam, passam o dia na conversa, comem, bebem, uns senhores.
Noutros paises, porém, é o contrário e as mulheres não podem trabalhar.
Têm que casar, obrigatoriamente, e ficam subjugadas aos salários, vontades e decisões dos maridos.
É o caso do muçulmano Egipto.
Aos homens tudo é permitido, inclusivamente ter tantas mulheres quantas conseguirem comprar e sustentar. Sejam senhoras ou apenas meninas.
“Elas” não têm os mesmos direitos.
E pior, nunca reclamam. Aceitam essa condição. Não conhecem outra, coitadas!

Por outro lado, não imaginava que África estivesse tão preparada para receber viajantes. Cheguei a pensar que só conseguiria atravessar África através de uma empresa com tudo programado.
Mas não.
Fora dois casos de países em conflito interno, que me obrigaram a apanhar voos, consegui atravessar o continente por terra em transportes locais. Claro que com pouco conforto mas não muito diferente de uma Ásia ou América Central.

Esperava também uma África muito mais insegura. Estive sempre alerta, com certeza, mas a verdade é que, na maioria dos países, não senti que me pudessem fazer mal. Antes pelo contrário.
Claro que tentam sempre ganhar mais dinheiro com o “branco”, mas é isso que se passa em qualquer parte do Mundo onde, os turistas, são sempre vistos como gente rica.

E os preços também me surpreenderam. Apesar dos obrigatórios vistos de entrada na maioria dos países, dos tours obrigatórios, como os safaris, os desertos, vulcões e lugares históricos… com vôos, estadias, comida, roupa, e até um telemóvel novo… não saí do meu orçamento que, como sabem, é bastante limitado. Mas consegui!

Desconhecia também que África fosse tão verde, tão montanhosa, tão cheia de água, de lagos e praias maravilhosas.
Tão distinta de país para país e que albergasse das mais bonitas paisagens do Mundo além de um patromónio histórico preciosissímo de tão antigo que é.

Tinha uma ideia, mas não fazia ideia.

E essa ignorância é maravilhosa porque me permite surpreender todos os dias. Porque me faz aprender com cada situação e com cada pessoa com a humildade de quem pouco sabe e precisa de ver para crer.

E por último o clima. Não fazia ideia que em África fizesse tanto frio e chovesse tanto. Claro que andei sempre na melhor época do ano em cada país. Ou no fim das chuvas ou antes do frio. Não porque me programe muito. Mas porque sou sempre aquela sortuda. E o Mundo é muito meu amigo. 

Oh! África! Minha querida África!
És tão dura quanto encantadora!
És tão difícil quão desconcertantemente bela!
És tão genuina quão enigmática!
És tão distinta quão envolvente!
És tão surpreendente quão previsível!

Tatuaste o meu coração com a tua força, com a tua energia, com a tua cor, o teu odor, a tua alma. Obrigada África por me receberes de braços tão abertos que me obrigas a prometer-te: um dia, voltarei!

(Este texto foi escrito com o coração. Daí ser tão extenso. )

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 47 da Liza à GeoStar


Egipto

Estava há muito na minha lista de países prioritários.

Quis a instabilidade do país que adiasse vez após vez esta visita.
Até agora.
As muitas fotos, a bíblia, as lições na escola… nada me fazia imaginar um país assim.
Encontrei mais hospitalidade do que estava à espera.
Senti mais segurança do que contava!
Apesar dos vários check points, ruas fechadas por militares, torres vigia habitadas por homens e armas a verdade é que, andar na rua, é seguro a qualquer hora.
Confirmei o enorme património histórico do país. Ruínas com mais de 5.000 anos de vida, túmulos intactos esculpidos com um rigor arrepiante.
Visitei as maiores, mais antigas e mais extraordinárias construções do Mundo: as pirâmides de Giza, templos e palácios.
Vi as mais antigas Mesquitas de África.
Assisti à extraordinária sabedoria egípcia nas paredes desenhadas e escritas de forma indecifrável, até há poucos anos atrás, todas contando uma história, todas com um significado e com um riquíssimo valor histórico.
Testemunhei algum fanatismo religioso.
Senti na pele o desrespeito pela Mulher, de homens que entendem que, quem viaja sozinha, tem que estar à procura de um marido para casar. Claramente não entendem a independência feminina.
Por vezes, senti-me privada da minha liberdade, sendo sempre o centro das atenções no meio de tantas mulheres acompanhadas e bastante reprimidas.
Cruzei o país mais barato de África e um dos mais baratos de todos os que visitei no Mundo.
Comi, maravilhosamente, comida muito parecida à nossa: iscas, grão, feijão, tremoços, sopa.
Não achei o país deslumbrante, mas gostei das pessoas. E essas são as que fazem a diferença.
Estamos quase quase de partida. Palpites sobre what comes next?

Liza