Volta ao Mundo com a Liza – Carta 51 da Liza à GeoStar

Byron Bay – Austrália

Depois de 9 meses a subir África por terra e 3 anos a mover-me de 3 em 3 dias, senti que era hora de parar um pouco e viajar mais devagarinho.
De todos os países que visitei, há um que me atrai particularmente, pela forma simples de pensar e levar a vida.
Já quando era mais pequenina, se me perguntavam que país queria muito conhecer, respondia Austrália. Era o país mais distante, maior e mais enigmático para mim.
Recordo-me perfeitamente da minha primeira impressão quando aterrei, pela primeira vez, neste continente.
O silêncio e paz do aeroporto, onde só ouvia o chilrear de diferentes pássaros, contrastava com a populosa e ruidosa Ásia, de motas e buzinas, de onde acabara de chegar.
Cheguei a pensar que provavelmente ia ser um país aborrecido, demasiado parado, além de caro demais para me deter por muito tempo.
Acontece que Austrália me foi surpreendendo todos os dias. Mostrou-me uma energia muito poderosa e positiva e ensinou-me formas de me manter por aqui a gastar muito pouco.
“No worries” e “Awesome” são as duas expressões mais australianas que conheço. Ambas representam a forma de viver deste povo para quem tudo tem solução e onde nunca estão menos do que “muitíssimo bem”.
Aqui todo o Mundo é tratado de igual forma, seja viajante, empregada doméstica, balconista ou professora.
Patrões e empregados trabalham lado a lado sem preconceitos e geralmente tornam-se bons amigos.
Austrália, em particular Byron Bay onde estou agora, faz-me sentir melhor pessoa todos os dias. Faz-me pôr amor, dedicação e entrega em tudo o que faço. Faz-me querer partilhar com os outros um pouco desta benção de Vida que escolhi para mim.
E esse é o espírito por estas paragens e é nele que me revejo.
Estou pois Feliz vagueando entre banhos de mar, braçadas na piscina, treinos de yoga, caminhadas à beira mar e cervejas com amigos ao pôr do sol!
Há tempo para tudo e vontade de aproveitar cada dia.
Inexplicável porque em certos pontos do Mundo se vive tão bem e noutros não. Inexplicável porque é que há lugares que me fazem sentir mais em casa do que na minha casa.
Mas eu não ando à procura de explicações. Ando a Viver o presente, a saborear cada dia, cada minuto com um enorme sentido de gratidão!!!
A vida é mesmo o que dela fizermos. Não é?

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 50 da Liza à GeoStar

Ubud – Bali

E no último dia a terra tremeu.
Eram 6h da manhã quando a cama abanou. Passado meia hora abanou de novo. Levantei-me de súbito mas lá fora a vida fazia-se normal. Apesar dos 4,7 graus de magnitude, estão acostumados a estes fenómenos naturais.
E têm fé!
“O vulcão está a dar sinais de vida” dizem-me.
“É provável nova erupção nos próximos dias.”
Em silêncio pedi à minha estrelinha que me deixasse seguir caminho nessa noite.
E com isso dei início ao meu último dia em Ubud.
Indescritível o que sinto nesta Ilha.
Sinto-me uma pessoa melhor.
O sorriso sai-me do coração a toda a hora nem que seja para dizer apenas um: “No thanks” de cada vez que me perguntam se preciso de táxi ou de uma massage. Mas um não dito a sorrir tem outro sabor.
É impossível ralhar ou ficar aborrecida com esta gente. São de uma amabilidade contagiante.
Ir ao mercado e regatear até ao cêntimo é das minhas ocupações favoritas em Bali.
Para mim e para eles.
Pedem 150.000 rupias. Ofereço 30.000. Baixam para os 100.000. E eu insisto nos 30.000.
“No Mam, can not”.
Aumento a parada para os 40.000. E trago por 50.000 (3,5€).
“For the good luck” dizem-me depois de um abraço e de tocarem com as notas que lhes dou nas coisas que têm à venda para que se vendam também.
Detestam, confessam-me em segredo, a malta que aceita o primeiro valor. É como dizerem: “toma lá que eu posso pagar isso e muito mais”. Negociar faz parte da cultura. E eu levo jeito.
Comer é outro enorme prazer em Ubud. Nunca vi um lugar com tantos restaurantes, cafés, esplanadas, warungs (casas particulares que servem refeições livres de impostos), com aspecto tão confortável e atraente. Apetece ir a todos.
A comida não faz grande diferença. É sempre bem apresentada e deliciosa, bem como os lassis (batido de fruta com iogurte) ou os sumos naturais, servidos sempre adornados com menta ou uma flor. Os preços vão desde os 2€ aos 10€ por refeição.
Sim. Ubud ainda é bastante acessível. Para dormir pode-se ficar por 2€. Mas também se pode pagar 1.000€.
Em Ubud não há crime. Ninguém rouba, mal trata ou manda bocas…
Já tinha saudades de andar na rua, à noite, sem receio de nada. É tão confortável!
E com o calor húmido, sabe pela vida jantar mais tarde, passear um pouco e regressar a casa a caminhar tranquilamente.
Sair de Ubud custa sempre um bocadinho, apesar de saber, que não será a última vez. Sinto-me em paz, sinto-me em casa. E por isso voltarei aqui sempre.
Mas está na hora de outra aventura. De novos desafios. De desejados reencontros.
Para trás fica um dos meus lugares preferidos no Mundo e um vulcão que parece ter acordado de um longo sono.
Abraço de Feliz Natal para todos os que trago e me trazem no coração.
(quando lerem este post já terei saído de Bali)

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 49 da Liza à GeoStar

Ubud – Bali

De repente, as burcas dão lugar a longos e lisos cabelos negros, apanhados com flores, que caem sobre as engomadas camisas bordadas presas nos saris de todas as cores.
Os homens trazem um lenço enrolado na cabeça, que mais parece um chapéu, e vestem igualmente saris nas cerimónias.
Tradicional e único.
O sonoro chamamento para as mesquitas muçulmanas é substituído por silenciosas oferendas aos deuses hindus, com gestos delicados e elegantes.
As estrangeiras trajam calções, tops, mini-saias ou vestidos curtos que compram nos mercados locais.
Os olhares de reprovação ou engate são agora substituídos por sorrisos sinceros, daqueles que saem do fundo da alma e nos fazem rever as nossas habituais atitudes perante os outros.
Todos bebem cerveja sem se esconder.
Chegámos a um Mundo quase perfeito, de confiança, de alegria, de empatia, de liberdade.
Estamos em Bali !!!
Todos temos lugares favoritos no Mundo que representam o Paraíso para nós. Ubud é, definitivamente, um desses lugares para mim.
Depois de 8 meses num continente mais duro, mais desconfortável, onde temos que estar mais alertas, com deslocações intermináveis, onde as águas dos lagos são contaminadas, as doenças frequentes e onde vivem animais selvagens … estava a precisar de relaxar e elegi Bali para descansar.
Pois que, sem saber, e como já vem sendo hábito, cheguei poucos dias antes de um celebração muito importante que se realiza a cada 210 dias.
Nos dias que antecederam as celebrações toda a comunidade se envolveu a decorar as suas ruas.
Cada 3 casas de família constrói um estandarte feito de madeira, bambu, flores e veludo. Os inúmeros templos nas entradas das casas são agora vestidos de gala: cetim branco, preto, amarelo ou vermelho.
Na verdade, toda a cidade está engalanada, todos estão divertidos e felizes e orgulhosos do seu “Galungan day”, pois crêem que os seus entes queridos mortos, neste dia, os vêem visitar e querem recebê-los o melhor possível.
No dia rezam, nos templos de família (em Ubud todas as casas têm templos hindus), e nos templos da cidade. Todos estão de portas abertas para serem visitados gratuitamente.
Mas, ao contrário do que seria de esperar, Bali está vazio. Os sinais de uma iminente erupção do Vulcão Agung, há um mês atrás, levou os Governos a desaconselharem as visitas a Bali. E há quem respeite esses alertas.
Quer isso dizer que vivi um Ubud mais dedicado, com mais tempo, ainda mais sorrisos e muita tranquilidade.
Era tudo o que precisava.
Se tivesse que descrever Ubud numa só palavra seria: harmonia.
Aqui tudo parece estar em sintonia. Crianças e adultos riem à gargalhada e são Felizes. Recebem turistas 12 meses por ano, há dezenas de anos, sem sinais de cansaço. Não é preciso sorrir para receber sorrisos. Tratam bem porque não aprenderam a tratar mal nem querem. Os Balineses gostam de ser assim. E são!
Deixo-vos com algumas imagens deste (meu) paraíso, que apesar de não ter água por perto, é o mais espiritual de todos os meus cantinhos do Mundo, ou não fosse Bali, a Ilha dos Deuses.
(quando lerem este post já terei saído de Bali, por isso, relax e não fiquem preocupados ok?)

Liza