Volta ao Mundo com a Liza – Carta 55 da Liza à GeoStar

São 5h50 da manhã e já estou na rua, depois de um delicioso pequeno almoço e de um grande banho.
A rua está escura mas o dia não tardará a nascer.
Percorro as ruas da cidade, atravesso o rio Yarra e os bairros a sul do rio em ziguezague. Cada dia passo em ruas diferentes para não me escapar nada.
O sol decide nascer precisamente quando chego ao Albert Park, o meu parque favorito de Melbourne.
Com um lago com 6 kms de diâmetro, morada de uma dúzia de famílias de cisnes negros, este parque é lindo a qualquer hora do dia.
Há alturas em que se vê a cidade reflectida na água. Outras há em que é o lago que dá côr aos prédios da cidade.
Mas este nascer do sol, este nascer do sol foi um dos momentos mais mágicos das últimas semanas. Senti-me tão abençoada!
Que sorte ser suficientemente louca para ir a pé em noite cerrada!!
Neste parque descalço-me e caminho na relva. Li que faz bem à saúde e a verdade é que é saboroso!
As 7:30 começo os preparativos para receber novos hospedes nesta casa perto da praia.
Cerca de 20 quartos, sala, cozinha…há que pôr tudo em ordem para receber e bem.
E assim passam 8 horas num ápice!
Se o tempo está bom, às 15h estou na praia, que fica mesmo ali ao lado. O cansaço põem-me a dormir de imediato.
Não há nada mais recuperador do que um sono na praia e um banho de mar.
Dali sigo para o Hostel onde vivo.
Jantar e uns copos com amigos e termino o dia com a sensação de que a minha vida é perfeita!
Há outros dias porém em que tenho as manhãs livres. Nesses, habitualmente, faço turismo por esta cidade que me surpreende todos os dias!
Às 17h começo os preparativos para manter tudo impecável para os outros cerca de 400 hóspedes que vivem comigo. 30 casas de banho, uma cozinha grande, um terraço maravilhoso e gigante e muita, muita lavandaria, ocupam-me as 8 horas seguintes.
Sou acarinhada por todos, sem excepção, que agradecem, a toda a hora, tratar do seu bem estar.
Chego à cama com uma maravilhosa sensação de dever cumprido e, uma vez mais, de que tenho a vida que sempre sonhei!
A vida simples assim é tão boa!
Nunca estive tão em forma sem ir ao ginásio. E nunca me senti tão leve.
Melbourne tem eventos culturais todos os dias, tem músicos espalhados pelas ruas, tem Museus gratuitos, Mercados várias vezes por semana.
Melbourne é uma cidade grande, mas não é igual a todas as cidades grandes. Melbourne é especial. Muito especial. E eu estou enamorada por ela e pela vida que tenho.
Deixo-vos com algumas fotos. Vejam se não tem qualquer coisa esta cidade.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 54 da Liza à GeoStar

Melbourne
Amo cidades grandes que têm um Mundo dentro delas próprias. Os bairros são tantos e com tanto para ver, que tenho passado cada dia numa zona diferente da cidade a perder-me nas ruas para descobrir cada recanto.
É lindo encontrar agora zonas que estou a visitar pela primeira vez, mas ainda mais incrível é revisitar outras e lembrar-me do nome das ruas, das igrejas e dos cafés.
Ao fim de 340 lugares em 3 anos ainda me lembro….Tantas mas tão bem preservadas memórias. Tão bom!
Melbourne é uma cidade muito interessante, precisamente porque, na mesma cidade, reune vários tipos de ambientes.
Desde o centro cheio de vida, imponentes edíficios, e muita Arte Urbana.
A Bairros de casas pequenas, lojas alternativas e restaurantes de comida internacional e saudável.
À zona a sul do Rio, com edíficios altos e luxuosos.
Até à Praia, a 7kms do centro da cidade, que, não sendo a praia mais bonita do Mundo, não deixa de ser praia e de oferecer aquele ambiente mais descontraido de quem vive com o pé na areia.
Nas caminhadas entre uns e outros, atravesso parques verdes com lagos maravilhosos no meio, com fotogénicas vistas sobre a cidade… Wow!
Dou comigo a pensar que podia viver uma temporada em cada um desses bairros e ser feliz em todos eles, tirando partido das maravilhas que cada um deles tem para oferecer.
Começo a achar que talvez não sejam os lugares que são perfeitos, mas sou eu que trago dentro de mim essa felicidade interminável que me faz imaginar-me muito Feliz em cada lugar.
Uma coisa é certa, a mudança é determinante para sentirmos a enorme alegria ao acordar cada dia, porque algo de novo nos espera. É curiosidade, adrenalina, incerteza… Eu chamo a isso Felicidade! E o conforto que é saber que ela está em cada virar de esquina.

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 53 da Liza à GeoStar

Bali

E quando o visto nos obriga a sair do país e temos a oportunidade de regressar a um dos lugares que mais gostamos no Mundo inteiro?
É preciso ter muita sorte!!!
Pois é, o visto de turista na Austrália, é de um ano, mas com saídas obrigatórias a cada 3 meses.
Bali é, por norma, o destino mais económico e próximo (ainda que tenha viajado 20h) e por isso aqui estamos nós de novo a fazer uma vida de cortar os pulsos: dormir bem, comer bem, massagens, passeios, escrita e contemplação.
Eu amo Ubud, como sabem, e só quando regressei tive noção da sorte que tenho em ter que sair da Austrália cada 3 meses.
Um constrangimento maravilhoso!
Há cafezinhos novos, as lojas estão com novas colecções, e está cheio, ao contrário do que seria suposto dado as chuvas. Mas, Bali é sempre bom, e recebe sempre bem!
Bali está pois em época de chuvas. Está húmido, chove todas as tarde e noites, está menos calor mas mais pegajoso.
Está óptimo para caminhadas quase sempre regadas com chuvas refrescantes que nos obrigam a parar e apreciar a natureza.
Percebi, por exemplo, que as borboletas que sempre me acompanham nestes passeios, na sua maioria, não aguentam a força da chuva e morrem.
Bem sei que têm vida curta, mas dá que pensar como algo tão importante para o resto da natureza, pode ser fatal para seres tão belos como as borboletas.
Por outro lado, penso que minutos antes de morrerem, essas mesmas borboletas, estavam a fazer o que mais gostam, a voar livremente ao sol, a pousar nas flores que escolheram, a viver uma vida plena e Feliz!
Há dias atrás, por ocasião da morte do pai do Ikea, vi quem são os 10 homens mais ricos do Mundo. Com mais de 30 mil milhões de euros nas suas contas creio que nenhum deles tem metade da minha riqueza.
As memórias do que vivi por este Mundo fora, as paisagens que tive oportunidade de apreciar, as lições de vida que tive o privilégio de aprender, o enorme prazer de usar a liberdade que me foi dada para ser verdadeiramente livre…. Não trocaria a minha incalculável riqueza por a deles todos juntos!
E isso, sentir isso, é o que importa nesta Vida não é mesmo?
Vemo-nos, muito em breve, num outro lugar na Austrália, boa?!

Liza

Volta ao Mundo com a Liza – Carta 52 da Liza à GeoStar

Byron Bay

Byron, o ponto mais ocidental da Austrália, é uma baía natural que alberga uma variedade riquíssima de fauna e flora que convive em perfeita harmonia com o homem.
Os pássaros roubam-nos a comida da mão, as serpentes vão à praia, ninguém mata uma aranha (e que grandes e imponentes elas são por aqui), os perus andam na rua como gente grande…
Não se vê um papel na rua ou na praia.
Todo o mundo recicla religiosamente.
Fazer bem dá tanto ou menos trabalho do que fazer mal!
Os australianos têm essa forma simples, tranquila, descomplicada, leve e feliz de viver.
Há uma energia muito particular neste país. Estão longe de tudo e não invejam ninguém.
Nem reclamam por estarem a ser invadidos por milhares de mochileiros do Mundo inteiro, que vêem por uns tempos, para ganhar dinheiro e põem-se a andar.
Para eles está sempre tudo na boa!
Tratam quem lhes limpa a casa como tratam o professor dos filhos. Com respeito, admiração, apreço e gratidão.
É como se o isolamento os tivesse mantido puros na versão original da espécie humana.
Austrália faz-me querer ser melhor pessoa!
Olho para eles como exemplo, aquilo que eu quero ser para mim e para quem me rodeia.
Byron é o tipo de lugar onde se pode dar uma caminhada de 3h deixando a toalha, telemóvel e dinheiro na praia. Ninguém toca.
Todo o Mundo tem uma chave escondida no vaso ou a porta sempre destrancada.
E todos se cumprimentam. Nas minhas caminhadas diárias sorrio muito porque não faz sentido não sorrir a quem me cruzo.
E num ápice passaram 3 meses a viver num dos meus lugares favoritos e mais bonitos do Mundo, com muita praia, muito sol, muita caminhada e vida saudável.
A Feira dos Agricultores (Farmers Market) de Quinta era um dos meus momentos favoritos.
Levava o meu pequeno almoço de casa, pedia um café lá, e sentava-me por horas a ver o ambiente.
Esta feira é frequentada pelas famílias locais, australianos de Byron, que é a malta que eu realmente admiro.
As crianças riem como em nenhum outro lugar. Estão felizes. Estão leves!
Os pais deixam-nas subir às árvores, andar descalças, correr na relva, tropeçar e cair, sem as protegerem!
Cair faz parte da vida. E torna as pessoas mais fortes, livres e felizes.
Gosto muito de Byron mas ainda há muito para explorar neste país maior do que a Europa inteira. E o meu espírito de viajante está preparadíssimo para seguir caminho.
Até sempre Byron Bay!

Liza